Indonésia: Como chegar a Nusa Lembongan e Ceningan e o que fazer

postado por Marcelle Ribeiro em 16/06/2017 - Atualizado em: 08/07/2017
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Antes mesmo  de começar a postar o meu relato sobre a minha viagem à Indonésia, resolvi postar aqui a experiência do meu primo, Jeann Marcell Andrade, e da esposa dele, Nathália Braga, por duas ilhas nesse país que eu acabei não conhecendo: Nusa Lembongan e Nusa Ceningan. Elas têm praias belíssimas e são o paraíso para quem curte snorkeling, animais aquáticos e surf.

Arraia Manta em Nusa Lembongan, na Indonésia. Foto: Nathália Braga.

Arraia Manta em Nusa Lembongan, na Indonésia. Foto: Nathália Braga.

Vamos às dicas da Nathália? #partiu

 

“As ilhas Nusa Lembongan e Nusa Ceningan inicialmente não estavam no nosso roteiro da Indonésia, entraram pouco tempo antes do embarque e já adianto o quanto nos arrependemos, profundamente, por não ter reservado mais tempo para elas. Nosso estilo de turismo (meu e do meu marido) é diferente da maioria das pessoas. Gostamos mais de ecoturismo, muita natureza e lugares pouco explorados. Consequentemente, ao planejar uma viagem sempre corremos o risco de seguir a maioria e deixar passar os lugares que poderíamos apreciar mais. Foi exatamente isso que aconteceu com Nusa. Encontrei pouquíssimas informações disponíveis na internet, sabia que seria nossa praia, mas pela internet não tive noção do potencial e das maravilhas que essa ilha poderia nos oferecer.

O pequeno arquipélago é composto por três ilhas: Nusa Lembongan, Nusa Ceningan e Nusa Penida. Reservamos 2 dias e ficamos muito frustrados na despedida, pois faltou muita coisa para conhecer! Principalmente a terceira ilha, Nusa Penida, com suas paisagens incríveis. Fica para a próxima! A primeira dica é: se você gosta de ecoturismo, conhecer a cultura preservada em pequenas ilhas, mar azul, explorar cada cantinho de moto e paisagens incríveis, reserve uns 3 ou 4 dias para as três Nusa. Você não vai se arrepender.

 

Como chegar:

Para a maioria dos turistas, a porta de entrada na Indonésia é Bali, e não a capital Jacarta. Os voos partindo do Brasil para Bali comumente são mais caros que voos para outros países asiáticos e caso tenha tempo e queira economizar, é recomendável passar antes em outro país e depois ir para Bali. No nosso caso, fomos primeiro para a belíssima Tailândia e, de lá, para a Indonésia.

Na Indonésia, fizemos uma rota circular para otimizar os dias por lá. Primeiro fomos para Ubud, que é a capital cultural de Bali, na região central. Depois, fomos para as Ilhas Gili, com sua atmosfera roots e mar azul. E das Ilhas Gili é que fomos para a Nusa Lembongan.

Para chegar a Nusa Lembongan, a partir de Bali existem duas formas:

  • A partir de Sanur e região: Essa é a forma mais conhecida, fácil e barata de chegar a Nusa Lembongan. Para isso, é necessário pegar um speed boat em direção a Nusa Lembongan. O trajeto dura cerca de 30 minutos e qualquer agência turística vende passagens.
  • A partir de Gili Trawangan: Esse foi o trajeto que fiz, mais demorado, caro e ainda bastante desconhecido, inclusive entre guias de Bali. Contudo, se enquadrava melhor no meu roteiro circular, e no planejamento como um todo proporcionou economia de tempo e dinheiro. Somente duas empresas fazem esse trajeto. Foi um parto conseguir informações e na internet não achei nada consistente! Só descobri o que fazer quando cheguei em Gili Trawangan, após perguntar para muitas pessoas.

Comprei o ticket na loja da Scoot Fast Cruises (http://www.scootcruise.com/), em Gili T. É possível comprar também pelo site, mas sem aquela barganha esperta que é obrigatória durante cada compra na Indonésia. A Scoot vende passagens um pouco mais caras, mas inclui outros benefícios como viagem completa (Gili T – Nusa Lembongan – Transfer hotel – Sanur – Transfer hotel) e o transfer até o hotel em que você estiver hospedado. No final, o caro sai barato! A viagem de Gili T. para Nusa Lembongan dura duas horas de emoção quando o mar está agitado, afinal é um trecho não protegido pelo continente ou ilhas, ou seja, mar aberto. Valor para duas pessoas: 1.050.000 IDR ou US$ 79,55 ou R$ 257,73.

 

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Lancha da Scoot, que nos levou a Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Lancha da Scoot, que nos levou a Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

 

O que fazer em Nusa Lembongan e Nusa Ceningan em 2 dias:

Primeiro dia: Snorkel 

O passeio mais conhecido em Nusa  Lembongan é o mergulho com a raia manta ou o peixe mola mola. É possível contratar esse serviço em diversos locais da ilha: nos escritórios de turismo, direto com os barqueiros ou nos hotéis. Eu reservei com um barqueiro diretamente, que me ofereceu um roteiro padrão, que não incluía o mergulho com a manta. Conversando, ele topou fazer o roteiro que eu queria, com um pequeno acréscimo no valor. Custo para duas pessoas: 500.000 IDR ou US$ 37,88 ou R$ 122,73.

O mergulho ocorre em ambiente natural, portanto, para avistar os animais é importante considerar o  comportamento deles. Segundo minha pesquisa para a viagem, a raia manta é avistada mais facilmente no período da manhã nos points usados pelos turistas. Não encontrei relatos de ataque desses animais, então mergulhei sem medo. Mas só até ver a gigante na minha frente. No primeiro encontro tremi tanto que não consegui filmar. O medo durou pouco e logo depois o encantamento tomou conta de mim. Coisa mais linda!

Arraia Manta em Nusa Lembongan, na Indonésia. Foto: Nathália Braga.

Raia Manta em Nusa Lembongan, na Indonésia. Foto: Nathália Braga.

Nem só de manta se faz o mergulho em Nusa Lembongan. É possível conhecer pontos com belíssimos corais, como a Cristal Bay, Gamat Bay e Mangrove Point. Achei os corais daqui muito mais bonitos, biodiversos, coloridos e preservados que os corais das Ilhas Gili.

Além dos atrativos naturais, existe o Underwater Buddha ou Buddha Point, que para mim era uma parada obrigatória. Era… Fui enganada pelas fotos da internet. Na verdade, minhas fotos também ficaram muito bonitas, mas o mergulho em si é bastante fraco e sem sentido. Sem sentido porque as estátuas foram colocadas lá só para entreter os turistas (eu acreditava que era um templo ou alguma ruína). Aí fica aquela sensação de que você foi enganado. Faz parte! Quando visitamos, o buda estava tapado com um tecido, imagino que isso foi feito por conta protestos de algum seguidor de Buda. Justo.

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Fazendo snorkel em Nusa Lembongan. Foto: Jeann Marcell Andrade.

Fazendo snorkel em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Underwater Buda, em Nusa Lembongan. Foto: Jeann Marcell Andrade

Underwater Buda, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga

Fizemos o passeio de snorkel pela manhã, e, à tarde, aproveitamos as praias próximas ao hotel: Coconut Beach e a praia principal da ilha, onde os barcos atracam.

 

Coconut Beach, em Nusa Lembongan. Foto: Jeann Marcell Andrade.

Coconut Beach, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Praia principal de Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Praia principal de Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Segundo dia – Explorando a ilha

O principal meio de transporte nas ilhas são as motos. Não existem muitos carros, somente carrinhos parecidos com aqueles de golfe, que levam os turistas até os hotéis. É comum estar incluído no deslocamento de barco o transporte até o hotel, pois as opções são escassas na ilha e andar a pé com malas não é uma opção, por conta da quantidade de ladeiras que elas possuem.

Em Nusa Lembongan não é necessário ter carteira de motorista internacional para pilotar motos, não por falta de leis, mas por falta de policiamento. Isso inclusive possibilita passeios mais livres. Nós alugamos uma moto no próprio hotel e lá mesmo, na hora, aprendemos a pilotar a moto. Foi fácil e felizmente não houve acidentes conosco, mas vi algumas vezes turistas com pequenas escoriações pela falta de habilidade. O valor do aluguel é bem acessível e está disponível em qualquer esquina. Aluguel de uma moto para o dia todo com tanque cheio, no hotel: 80.000 IDR ou US$ 6,06 $ ou R$ 19,64.

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O passeio de moto não teve um grande planejamento. Pesquisei antes na internet os lugares mais interessantes para se visitar, anotei os nomes e seguimos usando um simples mapinha dado pelo hotel e o aplicativo do Google Maps no celular.

Foi bastante tranquilo o deslocamento dessa forma, Jeann (meu marido) ficou como piloto e eu, na garupa, fazia a navegação no mapa, aplicativo, filmava e fotografava. Acredito que foi melhor dividir a moto, pois caso cada um estivesse em uma moto não teria navegador, fotógrafo e etc… e ficaria bem mais difícil o deslocamento. O problema foi ter que descer da garupa em algumas subidas, pois a moto é de baixa potência e não dava conta nas maiores subidas.

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Andando de moto por Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Andando de moto por Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Saímos do hotel, que fica próximo à Coconut Beach, e seguimos para a Mushroom Beach, que é uma praia de águas azuis bem tranquila e possui alguns hotéis. De lá, fomos para a Dream Beach, que é uma praia incrível. Como chegamos no período de subida de maré, encontramos uma praia muito forte, intensa, com ondas gigantes, impossibilitando o banho naquele momento. Infelizmente a fotografia só possibilita uma noção da realidade, mas se reparar no tamanho das ondas em comparação com o tamanho das pessoas poderá entender melhor o que estou tentando explicar. A Dream Beach também possui algumas pousadas (algumas ainda em construção) e um tradicional bar.

Dream Beach, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Dream Beach, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

A partir da Dream Beach, seguindo à direita de quem olha para o mar, está a Devil’s Tears, onde é possível ir a pé, com uma caminhada de aproximadamente cinco minutos. Esse é um pedacinho do continente que está em contato com o mar aberto. Quando as ondas batem no paredão rochoso com muita pressão, são gerados esguichos de água para todos os lados. A intensidade da força das ondas contra a rocha dura deu nome a esse lugar. É belíssimo e poético.

Devil's tears,, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Devil’s tears,, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

A próxima parada foi a Yellow Bridge, a ponte que liga Nusa Lembongan a Nusa Ceningan. Esse era mais um atrativo turístico, mas para nós o que mais nos marcou nesse passeio nas ilhas foi poder presenciar tão de perto o dia a dia de quem mora lá. Isso fez desse lugar o mais encantador de toda viagem. Passear entre os moradores locais de uma pequena ilha da Indonésia, de cultura tão diferente, cuja religião era desconhecida para mim até então foi incrível.

Yellow Bridge, em Nusa Lembongan. Foto: Jeann Marcell Andrade.

Yellow Bridge, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Em uma ilha pequena, as coisas são diferentes das cidades maiores de Bali. Nas pequenas ilhas, a história, a cultura e as tradições se mantêm por mais tempo, e Nusa ainda tem muito a oferecer da Indonésia “não globalizada”. Isso é demais!

Moradores de Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Moradores de Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

Para nós, mais bonito que ver as praias incríveis, foi acompanhar a ida das famílias ao templo em um sábado de manhã, às vezes todos juntos na mesma moto sempre com um fundo de mar azul. Mais bonito que as praias incríveis foi quando nos permitimos nos perder entre as ruelas e coqueirais e nos encantamos ainda mais com a vida real. Para nos achar fora da zona turística, onde não se fala inglês, bastou parar e conversar usando uma língua de sinais inventada e logo encontramos nosso rumo, muito carinho e simpatia de um povo maravilhoso! Como é que alguém viaja com outro objetivo se não apreciar a diversidade de vida, de culturas, de modos de viver e de interação com essa nossa casa que é uma casa só, um planeta só?

Da mesma forma que a falta de policiamento possibilitou nosso passeio de moto, ela também possibilita a crueldade das brigas de galo ao ar livre, que apesar de ilegais, ainda existem. Essa forma de turismo mais livre também possibilita conhecer tradições não tão simpáticas, que quando olhado sob uma perspectiva de outra cultura a gente cai em tentação e julga, mas só internamente, em silêncio.

Após a Yellow Bridge, chegamos em Nusa Ceningan. Nessa ilha, o primeiro ponto de parada foi a Blue Lagoon, que encanta pela beleza, azul intenso e formações que envolvem a lagoa. Um bom lugar para pensar na vida.

Blue Lagoon, em Nusa Ceningan. Foto: Jeann Marcell Andrade.

Blue Lagoon, em Nusa Ceningan. Foto: Nathália Braga.

Seguimos depois para a Secret Beach, uma praia belíssima que fica escondida em um cantinho da ilha. Para chegar, rodamos bastante, nos perdemos algumas vezes, mas por fim encontramos, meio sem querer. A praia fica atrás de um hotel, é um daqueles lugares que você acredita que está no lugar errado.

Em frente à praia tem um restaurante e uma piscina. A piscina pode ser utilizada pelos hospedes do hotel ou pelos clientes do restaurante, desde que atinja um consumo mínimo: ir até a praia (75 mil rúpias) ou usar a piscina (100 mil rúpias).

Restaurante, praia e piscina em Secret Beach. Foto: Nathália Braga.

Restaurante, praia e piscina em Secret Beach. Foto: Nathália Braga.

A praia é belíssima, de água cristalina, mas o mar estava bravo no horário que estivemos lá e ninguém se arriscou a tomar um banho.

Já era hora de ir embora para pegar o barco rumo a Bali e, saindo da Secret Beach, já em Nusa Lembongan, o Google Maps nos levou aos lugares mais estranhos, através de trilhas subindo morros no meio da mata onde era impossível ir de moto. Nos arranhamos no matagal, ficamos com muito medo, principalmente de não chegar a tempo de pegar o único barco do dia! …nessa aventura conhecemos por acaso a Tamarind Bay e todas as florestas da região. Depois de muita aflição, conseguimos chegar no hotel faltando poucos minutos para pegar o barco. Pulamos na piscina para um último mergulho e seguimos rumo a Bali ainda com a roupa de banho. Amo os trópicos!

 

Tamarind Bay, em Nusa Lembongan. Foto: Jeann Marcell Andrade.

Tamarind Bay, em Nusa Lembongan. Foto: Nathália Braga.

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Publicado por Marcelle Ribeiro

Jornalista, baiana, mas há mais de 20 anos moradora do Rio de Janeiro. Nos seus mais de 30 anos de vida, já viajou sozinha e acompanhada. Casada com o Guilherme, petlover e viciada em pesquisar novos destinos.

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