Marcelle Ribeiro

Marcelle Ribeiro, jornalista e viajante

Já acampei de mochila, barraca e saco de dormir. Já dividi banheiro com desconhecido na Europa (mas nunca o quarto!). Já fiquei em pousadinha simples na praia, mas também já fiquei em hotelão e em all-inclusive. Não posso saber que estarei de folga num feriado que já corro para os sites das companhias aéreas. Não curto muito excursão nem city tour e gosto de decidir quando e como vou fazer os passeios que quero.

Rio de Janeiro: Um passeio a pé por Santa Teresa e pela Lapa

19 de abril de 2017, por Marcelle Ribeiro

Enquanto as férias não chegam, nada melhor que turistar na cidade onde você mora. Por isso, resolvi conhecer um pouco mais da Lapa e de Santa Teresa durante um fim de semana de folga no Rio de Janeiro. Chamei minha mãe e o maridão para um passeio por estes bairros famosos pelos centros culturais e pela boemia.

A Escadaria Selarón é uma atração imperdível na Lapa. Foto: Marcelle Ribeiro

A Escadaria Selarón é uma atração imperdível na Lapa. Foto: Marcelle Ribeiro

Escadaria Selarón

Para começar, fomos ver a Escadaria Selarón, um dos lugares mais famosos da região central da Cidade Maravilhosa. Fiquei me perguntando como ainda não conhecia aquele lugar mesmo morando aqui por uns 15 anos.

Eu e minha mãe descansando nos degraus... Foto: Guilherme Calil

Eu e minha mãe descansando nos degraus da Escadaria Selarón… Foto: Guilherme Calil

A Escadaria Selarón é obra do artista plástico chileno Jorge Selarón, que custeou todo o projeto com o próprio dinheiro. Ele começou a reformar a escadaria em 1990 e o projeto era constantemente renovado até 2013, quando o artista morreu.

Como a fama da obra ganhou o mundo, Selarón passou a receber azulejos dos visitantes de todas as partes e isso é muito visível ao longo dos 250 degraus que ligam a Lapa à Ladeira de Santa Teresa. Tem azulejo de vários países e é muito legal subir a escada e ficar reparando nos detalhes de todos eles.

Selarón recebeu azulejos de turistas do mundo todo. Foto: Marcelle Ribeiro

Selarón recebeu azulejos de turistas do mundo todo. Foto: Marcelle Ribeiro

Chegar lá é bem tranquilo. Ela fica bem perto dos Arcos da Lapa. De lá, basta entrar na Rua Joaquim Silva e caminhar por cerca de 5 minutos. Não há cobrança de entrada, nem horário de funcionamento, porque ali é espaço público mesmo. Super recomendo, mas o passeio deve ser feito durante o dia por causa da luz e também por questões de segurança.

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Parque das Ruínas

Subindo os degraus da Escadaria Selarón, você vai chegar à Ladeira de Santa Teresa. Andando por cerca de uns 15 minutos e seguindo placas e indicações de moradores, você estará na Rua Murtinho Nobre, que abriga o Parque das Ruínas, um palacete que hoje é um Centro Cultural.

A entrada é gratuita e você tem bela vista da Baía de Guanabara. Aproveite para tirar várias fotos da paisagem e deixar o tempo passar curtindo a Cidade Maravilhosa.

Vista do Rio de Janeiro a partir do Parque das Ruínas

A maravilhosa vista do Rio a partir do Parque das Ruínas. Foto: Guilherme Calil.

 

O palacete também pode se transformar em cenário. Vi muitos estudantes de moda e fotógrafos aproveitando a luz e a arquitetura de lá para fotos. Se você subir toda a construção, será presenteado com mais uma vista sensacional da cidade.

Modelando no Parque das Ruínas. Foto: Guilherme Calil.

Modelando no Parque das Ruínas. Foto: Guilherme Calil.

O Parque das Ruínas fica na Rua Murtinho Nobre, 169. Funciona de terça a domingo, das 08h às 18h. A entrada é grátis.

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No alto da foto, é possível ver a ponte entre o Parque das Ruínas e o Museu Chácara do Céu. Foto: Marcelle Ribeiro

À direita, a ponte entre o Parque e o Museu da Chácara do Céu. Foto: Marcelle Ribeiro

Museu da Chácara do Céu

Na mesma rua, pouco depois do Parque das Ruínas, fica o Museu da Chácara do Céu. Eles são tão perto um do outro que tem até uma pequena ponte ligando as duas atrações.

O museu fica na antiga casa de Castro Maya, fundador e primeiro presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Amante das artes e da literatura, Castro Maya construiu um grande acervo de obras nacionais e internacionais ao longo da vida. Após sua morte, a casa foi transformada em museu.

Jardim do Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro

Jardim do Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro

Por lá, é possível ver obras de Di Cavalcanti, Portinari e algumas aquarelas de Debret, importante artista francês que retratou o Brasil no começo do século XIX.

Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro.

Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro.

Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro.

Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro.

Além disso, é possível visitar 2 cômodos mobiliados: a sala de jantar e a biblioteca. A sala de jantar chama a atenção pela prataria e por todo o mobiliário de época. Também é possível conhecer o jardim da propriedade.

A sala de jantar foi preservada no Museu da Chácara do Céu. Foto: Marcelle Ribeiro

A sala de jantar foi preservada no Museu da Chácara do Céu. Foto: Marcelle Ribeiro

 

O Museu da Chácara do Céu fica na Rua Murtinho Nobre, 93. Funciona de quarta a segunda, das 12h às 17h, com entrada grátis às quartas. Nos outros dias, a entrada custa R$ 2. Além disso, o Museu fecha no dia 1 de janeiro, no Carnaval e nos dias 25 e 31 de dezembro.

 

Portella Bar

Depois de tanto andar, é claro que a visita não seria completa sem o pit stop para o almoço. Pegamos um táxi do Museu Chácara do Céu até o Portella Bar, bem no Largo dos Guimarães.

Ate dava para ter ido a pé, mas como estava calor e bateu uma preguiça, preferimos aproveitar que um táxi passava por ali.

Quando chegamos, por volta de 13h30 de um sábado, o restaurante estava vazio, mas o salão foi enchendo rapidinho… E ainda tinha uma gostosa música ao vivo. Éramos 3 pessoas e pedimos feijoada para 1 pessoa e um arrumadinho (prato com feijão de corda, farofa, carne seca desfiada e temperos), chopes, caipirinha e 2 sobremesas. A conta deu uns R$ 82 por pessoa.

O Portella Bar fica na Rua Paschoal Carlos Magno, 139, no Largo dos Guimarães, em Santa Teresa.

A feijoada do Portella é uma delícia. Foto: Marcelle Ribeiro

A feijoada do Portella é uma delícia. Foto: Marcelle Ribeiro

Pegamos uma mesa bem na janela, de onde era possível ver toda a movimentação de Santa Teresa. O Portela fica no coração do bairro, com outros restaurantes e lojinhas de artesanato bem ao lado. Por ali, muitos turistas andando pra cima e pra baixo e também o revitalizado bondinho do bairro. Nós não andamos nele porque o bilhete está custando R$ 20, mas quem tiver disposição (e um dinheirinho no bolso) pode aproveitar o passeio.

O revitalizado bondinho de Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro

O revitalizado bondinho de Santa Teresa. Foto: Marcelle Ribeiro

Santa Teresa tem vários restaurantes famosos, para todos os preços. Alguns deles: Espírito Santa cozinha amazonense), Aprazível (comida brasileiras) e Bar do Mineiro (comida brasileira, meio apertado, sempre cheio e com cara de botecão).

E quanto tempo levamos para fazer todo esse passeio? Chegamos na Escadaria Selarón por volta das 11h e às 13h30 já estávamos no restaurante.

Para encerrar, fica uma dica que não aproveitamos nesse dia e que você pode agregar ao seu roteiro caso tenha interesse e um pouquinho mais de tempo. Se você quiser, pode começar esse roteiro pela Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Com uma arquitetura bem diferente das igrejas tradicionais, a Catedral fica na Avenida Chile, 245, bem próximo dos Arcos da Lapa. De lá até a Escadaria Selarón, a caminhada deve ser de pouco mais de 10 minutos.

E se você ama arte, saiba que o bairro tem vários ateliês. Santa Teresa inclusive promove todo ano um evento em que eles ficam de portas abertas para o público. Eu ainda não fui nesta época, mas dizem que o bairro todo fica em clima de festa, com muita gente nas ruas. Não consegui descobrir quando o Arte de Portas Abertas vai acontecer em 2017, mas no site da associação dos artistas do bairro eles costumam informar.

 

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