Dólar alto: especialista diz como economizar na hora de comprar

postado por Marcelle Ribeiro e publicado em 26/02/2015 - Atualizado em: 12/11/2017
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O que é mais vantajoso, comprar dólar em bancos ou casas de câmbio? É melhor comprar a moeda estrangeira para a tão sonhada viagem toda de uma vez ou ir fazendo várias transações aos pouquinhos? E quem já tem viagem marcada para as próximas semanas: deve esperar ou resolver logo a compra dos dólares? Para responder a essas e outras perguntas de quem pretende embarcar rumo ao exterior, o Viciada em Viajar conversou com o especialista em finanças pessoais Marcos Silvestre. Economista com MBA em Finanças e Controladoria pela Universidade de São Paulo (USP) e colunista da rádio BandNews FM, da TV Bandeirantes e do jornal Metro, ele avisa: “Dólar recuando (com um mínimo de sustentabilidade) para os R$ 2,50 é movimento que, se virmos em 2015, será somente para o segundo semestre. Antes disso, talvez pontualmente, por poucos dias (ou até um único dia isolado)”.

Autor de diversos livros sobre finanças pessoais, o professor Marcos Silvestre aconselha: “comprar dólar logo é uma forma de “fechar a conta” em reais e, a partir daí, desencanar, evitando a ansiedade de vir a ter (e talvez perder) a oportunidade de fazer uma compra um pouco melhor em algum dia específico”. Nesta entrevista exclusiva, ele fala não apenas sobre dólar, mas também sobre o euro e  sobre turistas que vão viajar para países que aceitam outras moedas.

 

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Viciada em Viajar: Como o dólar deve se comportar nas próximas semanas? Quanto você acha que ele estará valendo? E nos próximos meses?

Marcos Silvestre: Tanto nas próximas semanas quanto nos próximos meses, ainda durante todo o primeiro semestre de 2015, a cotação do dólar estará mais pressionada para cima, ficando mais próxima do teto R$ 3,00 do que da base R$ 2,50. O mercado de dólar, assim como todos os demais segmentos do mercado financeiro (o de moedas estrangeiras em geral, o de bolsa de valores, o de índices futuros e até mesmo de commodities…) está sujeito a movimentos altamente especulativos no curtíssimo prazo (horizonte inferior a um ano). A “lógica especulativa” para o dólar, que é a moeda internacional, tido como “moeda forte”, costuma ser cartesiana: economia local fragilizada = procura acentuada pela “moeda forte” internacional = cotação mais elevada do dólar (= cotação rebaixada da moeda local frente ao dólar). Isto vale para o Brasil, mas também para todas as demais economias do mundo. Basta observar a desvalorização do euro frente ao dólar nos últimos dois anos, refletindo o fraco desempenho das economias da zona do euro frente à razoável recuperação da economia americana no mesmo período.

 

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Há algo no horizonte que permita crer que haverá uma baixa no dólar (algum anúncio importante do governo brasileiro ou do governo americano)?

Se as novas medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo desde o início do ano surtirem o efeito esperado de “moralização” da condução da política econômica do governo, aumentando a confiança de empresários e consumidores, sem que a inflação ultrapasse de forma recorrente o teto da meta estabelecida pelo governo (6,5% ao ano), então a conjuntura econômica facilitará um recuo do dólar rumo à cotação de R$ 2,50.

 

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As denúncias de corrupção na Petrobras influenciam na cotação do dólar?

Sim, e por dois principais motivos: 1) o ambiente político, quanto mais instável, mais favorece a especulação com a “moeda forte internacional”, e o caso “petrolão” está diretamente associado ao governo Dilma, e 2) a Petrobras é grande importadora de petróleo/combustíveis: se problemas de gestão afetam sua capacidade de produção, como já estão afetando, as importações tendem a aumentar e assim pressionar a demanda por dólares, bombando sua cotação para cima.

 

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E as mudanças de ministros e cargos de alto escalão?

Quando interpretadas como positivas pelo mercado financeiro, empresarial e consumidores, as mudanças aliviam a cotação do dólar (o contrário também é verdadeiro). Veja-se, por exemplo, o próprio “efeito tranquilizador” com a escolha de um profissional competente e experiente do mercado financeiro para Ministro da Fazenda.

 

Vamos voltar ao patamar de cotação do dólar R$ 2,50? Ou R$ 3 é a tendência até o fim do semestre?

Dólar recuando (com um mínimo de sustentabilidade) para os R$ 2,50 é movimento que, se virmos em 2015, será somente para o segundo semestre. Antes disso, talvez pontualmente, por poucos dias (ou até um único dia isolado).

 

Com o dólar a quase R$ 3, os turistas que têm viagem marcada para as próximas semanas que ainda não compraram a moeda americana devem comprar logo ou é melhor esperar?

Comprar logo é uma forma de “fechar a conta” em reais e, a partir daí, desencanar, evitando a ansiedade de vir a ter (e talvez perder) a oportunidade de fazer uma compra um pouco melhor em algum dia específico.

 

E se a decisão for comprar agora, é melhor comprar tudo de uma vez? Ou um pouco a cada dia?

Fracionar a compra pode ter desvantagens como pagar uma nova tarifa bancária a cada nova compra, encarecendo o custo total da compra, além do incômodo de ficar providenciando uma nova operação a cada dia, inclusive incorrendo no eventual custo de DOCs/TEDs para a casa de câmbio, no caso de se escolher este tipo de ponto de venda da moeda estrangeira. Ademais, casas de câmbio confiáveis não costumam vender e entregar em domicílio quantias inferiores a US$ 500.

 

O que é melhor: comprar dólar em espécie, em cartões tipo Visa Travel Money ou fazer as compras no cartão de crédito?

Cartões de débito internacional, assim como cartões de crédito, são mais práticos e seguros. Mas em ambas estas opções de meio de pagamento internacional é cobrado IOF de 6,38%, encarecendo cada gasto justamente nesta porcentagem. No caso do cartão de crédito, há ainda a ansiedade da incerteza quanto à cotação do dólar/euro na data futura do pagamento da fatura, o que pode encarecer inesperadamente os gastos e compras realizadas no cartão. A compra de papel moeda paga IOF de apenas 0,38%, e deve-se ter cuidado com a procedência da notas, fugindo-se das falsificadas. Com dinheiro em espécie, o cuidado durante a viagem terá de ser dobrado, evitando roubos e perdas. Para quem é cuidadoso e organizado, esta ainda é a opção mais econômica para aquisição de dólares/euros.

 

E o viajante que ainda não comprou passagem aérea em dólar, mas já quer comprar: é melhor comprar logo para garantir uma tarifa mais baixa mas com dólar alto OU adiar a compra da passagem para pegar uma cotação mais vantajosa (e correndo o risco de só conseguir tarifas mais altas)?

O ideal é comprar parcelado em reais, até para não pesar tanto no orçamento.

 

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Professor Marcos Silvestre dá dicas para compra de moeda. Foto: Acervo pessoal.

 

 

Para quem decidiu ou precisa comprar dólar logo: como achar uma casa de câmbio que ofereça cotações melhores? Há algum mecanismo que permita comparar as cotações de diferentes casas de câmbio de uma maneira unificada, simples e rápida? Ou é preciso telefonar uma por uma mesmo?

Este é um mercado extremamente dinâmico: as posições de caixa (de moeda estrangeira) de bancos e casas de câmbio podem mudar demais em questão de poucos dias (excesso X escassez de dólar/euro = competividade X moeda mais cara). Assim, ligar de casa/banco em casa/banco no momento da compra ainda é a forma de se fazer a pesquisa mais acertada rumo à compra mais econômica.

 

As cotações das casas de câmbio são reguladas por alguma lei ou fiscalizadas?

Todas (as sérias, de aeroportos e shoppings, por exemplo) são fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. A “lei” que regula as cotações das moedas estrangeiras é uma só: a de mercado (procura X demanda = preço).

 

Em que o turista tem que ficar atento na hora de comprar moeda estrangeira na casa de câmbio?

Tem que ser localizada em local seguro (aeroportos, shoppings, lojas de rua em regiões de comércio intenso), devem ser bem montadas e bem recomendadas por quem já usou (consulte amigos que viajam muito ao exterior). Evite doleiros informais, ainda que “bem recomendados”. O problema não é só quanto à veracidade das notas compradas, mas também a questão da segurança pessoal do comprador: há casos em que a entrega é feita em domicílio por um “olheiro”, e na sequência a residência da pessoa é assaltada, roubando-se os dólares comprados e muita coisa mais.

 

De maneira geral, é mais vantajoso comprar dólar em bancos ou em casas de câmbio?

Boas casas de câmbio costumam ter cotações ligeiramente mais competitivas que grandes bancos. Isto porque, não tem tanta captação inercial (como os bancos), e precisam criar uma tradição de agradar seus clientes.

 

Um amigo comprou dólar em um grande banco a uma cotação melhor que a que apurei em outro local. Mas na hora de efetuar a compra, ele foi surpreendido por uma taxa alta (quase R$ 50) pela transação. Resultado: o preço final do dólar que ele comprou não ficou tão barato como ele esperava. Como evitar surpresas como essas?

Sim, bancos costumam cobrar tarifa de venda da moeda estrangeira, e também cobrar DOCs e TEDs para casas de câmbio que não sejam do mesmo grupo financeiro. Daí a conveniência em concentrar a compra, em casos em que a alternativa seja pulverizá-la por poucos dias.

 

Está mais vantajoso ir para a Europa que para os Estados Unidos?

O euro se valorizou frente ao real apenas metade do que o dólar nos últimos dois anos. Mas ainda é mais caro, na média, o turista brasileiro hospedar-se, comer, passear e comprar na Europa do que nos EUA (de 30% a 50% mais caro, para estabelecimentos de um mesmo padrão em cidades de porte e procura turística comparáveis).

 

Um leitor do blog pergunta: e o euro, vai subir até abril? Melhor comprar logo ou aguardar?

Não é tanto o euro que vá se manter alto, mas o real é que se manterá baixo. A cotação da moeda europeia não deve ceder muito nas próximas semanas e meses. Para ficar mais tranquilo: comprar já e fechar a conta da viagem em reais. E lógico: a partir daí, esquecer a cotação para não se torturar!

 

Para os turistas que vão viajar para países em que tanto o dólar quanto o euro são moedas fortes e que vão precisar fazer o câmbio para a moeda local de qualquer maneira chegando lá (Ásia, por exemplo): é melhor comprar e levar euros ou dólares?

Ambas as moedas são muito bem aceitas, mas o dólar ainda é o dólar, e costuma ser trocado por um câmbio mais convidativo mesmo por cambistas informais (que são relativamente confiáveis em muitas grandes cidades).

 

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Veja como economizar na compra de passagens, reserva de hotel e aluguel de carro em viagens

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Comentários

  1. Thiago
    28 mar 2019

    Marcelle, alguma dica de local de compra de euro no Rio?

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