Pirineus: roteiro de 3 dias com cachoeiras entre França e Espanha

postado por Marcelle Ribeiro em 26/09/2014 - Atualizado em: 07/02/2019
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No final de julho de 2014, meu irmão foi desbravar uma região que não conheço na Espanha: os Pirineus. Depois de passar alguns dias em Barcelona, ele e a namorada foram ver as montanhas e cachoeiras que ficam perto da fronteira com a França. E na bagagem, ele trouxe histórias e aventuras que conta aqui para o blog.

Com a palavra, Caio Ribeiro:

“Passei três dias (de um domingo a uma terça-feira) com minha namorada, a irmã e cunhado dela nos Pirineus, que é uma cadeia de montanhas que forma parte da fronteira entre França e Espanha (mais especificamente na província de Aragão). Com seus diversos picos, os Pirineus formam uma divisa natural entre esses países.

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Na região dos Pirineus está situado o Parque Nacional de Ordesa e do Monte Perdido. O vale do Ordesa foi declarado parque nacional em 1918. Em 1982, com a inclusão do maciço do Monte Perdido, passou a ser chamado de Parque Nacional de Ordesa e do Monte Perdido e atualmente possui cerca de 15.608 hectares. Além do maciço do Monte Perdido, o parque possui quatro desfiladeiros da época glacial: os vales de Ordesa, Añisclo, Pineta e Escuaín.

Primeiro dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

Primeiro dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

O Monte Perdido recebe esse nome pois o seu pico está a 3.550 metros de altitude e quase sempre está envolto por nuvens que impossibilitam os visitantes de vê-lo.

Pirineus: principais dicas

A maior parte do parque é acessível somente a pé e as trilhas são bem marcadas. Mas é muito importante pensar no vestuário quando for pra lá. Mesmo estando no verão, lá pode fazer um pouco de frio, por conta da altitude. Em locais acima de 2.500 metros de altitude pode haver neve mesmo no verão e o inverno lá é muito rigoroso. Casacos e calças leves e que sejam corta-ventos serão de grande utilidade, assim como botas. Protetor solar é sempre bom, mas repelente não é necessário. Quando for programar seu passeio, vale a pena começar seu planejamento dando uma olhada nesse site aqui, que tem a previsão do tempo de lá.

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Além das paisagens incríveis formada pelas montanhas, vales e cânions da região, o Parque Nacional também é conhecido pela sua riqueza em relação a biodiversidade. Caso queiram saber um pouco mais da história do parque, separei aqui a página dele no site do Ministério do Meio Ambiente da Espanha e o site oficial do parque, em que vocês poderão encontrar informações sobre os passeios, hotéis e muito mais.

A região tem várias vilas medievais, algumas praticamente intocadas. Dentre essas vilas, passamos por Aínsa, Torla e Vio. Embora também preserve algumas construções bem antigas, Aínsa tem mais de 2 mil habitantes e possui vários hotéis, restaurantes e supermercados. Torla, por sua vez, possui pouco mais de 300 habitantes, mas, apesar de ser menor, também tem hotéis. É em Torla que fica o centro de visitantes do Vale do Ordesa e de onde sai o ônibus que pegamos para fazer uma das trilhas. Ao passar pelo centro de visitantes, lembre-se de pegar um mapa das trilhas do parque. Por sua vez, Vio é um vilarejo onde moram apenas 5 pessoas, e que possui umas poucas casas e uma igreja.

Em Vio mora um amigo da família de minha namorada, que providenciou uma casa para alugarmos. Pagamos 150 euros pelo aluguel da casa em Vio com 3 quartos pelos 3 dias. Esse amigo tem um retiro de Yoga na região, chamado Casa Cuadral, que também funciona como restaurante e tem uma comida vegetariana maravilhosa. Almoçamos lá todos os dias.

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Primeiro dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

Fomos para os Pirineus de carro e levamos cerca de 4 horas e meia de Barcelona. A estrada é super tranquila, bem sinalizada e sem pedágio. O cunhado da minha namorada já havia ido para lá algumas vezes, conhecia bem a estrada e na ida fez um caminho passando por dentro do Cañón de Añisclo. Optando por esse caminho é importante ter muito cuidado e ir devagar, pois nessa parte a estrada passa a ser de duas pistas, uma para descer e outra para subir. A vista dessa parte da estrada é simplesmente incrível.

Separei aqui o link do Google Maps  em que marquei as cidades de Barcelona, Aínsa, Vio e Torla. Não tenho certeza se esse caminho é o que passa por dentro do Cañón do Añisclo, mesmo tendo feito algumas alterações no trajeto que o Google montou originalmente.

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Primeiro dia nos Pirineus

O nosso primeiro dia, um domingo, foi destinado basicamente a viajar de Barcelona para os Pirineus e fazer uma trilha pequena perto de Vio para aproveitar a vista do local. Essa trilha foi apenas para avistarmos o Monte Perdido e as outras montanhas nos arredores. Saímos a pé de Vio e quem nos levou foi o próprio dono do Casa Cuadral.

 

Primeiro dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

Primeiro dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

Segundo dia nos Pirineus

Na segunda-feira, fomos fazer uma trilha pelo Vale do Ordesa. Lá nos Pirineus há inúmeras trilhas e passeios para fazer, algumas mais rápidas, outras bem demoradas. Originalmente iríamos subir até o Lago Helado, que fica a 2.800 metros de altitude. Esse lago fica no caminho para o pico do Monte Perdido. Para fazermos essa trilha, precisaríamos sair muito cedo de Vio, pegar o ônibus às 7hs, e como veríamos neve, uma vez que passaríamos de 2.500 metros de altitude, iríamos precisar alugar aquelas raquetes de trilha na neve. O ônibus seguiria pela Pista de las Cutas (40 minutos) e nos deixaria em Cuello Gordo. De lá, seguiríamos por uma trilha de quase 2hs até o Refúgio de Goriz, e do refúgio até Lago Helado seriam mais umas 2hs e meia trilha.

Porém, como havia previsão de chuva para aquele dia, optamos por acordar um pouco mais tarde e fazer uma outra caminhada pelo Vale de Ordesa após o meio dia, quando a previsão era de tempo bom. Para fazer essa caminhada por dentro do Vale, pegamos um ônibus no centro de visitantes de Torla, que custa 4,50 euros por pessoa (ida e volta) até Pradera de Ordesa, que é o início da trilha. Também dá para ir de carro até Pradera e estacionar por lá. Além disso, há um restaurante lá, mas preferimos levar sanduíches e frutas. A trilha que fizemos passa por várias cachoeiras e mirantes, de onde foi possível observar a paisagem incrível do local. Além disso, a vegetação de lá é muito bonita.

Pegamos a trilha que vai em direção à cachoeira “Cola de Caballo” (que fica à 1.700 metros de altura), mas fomos só até a cachoeira “Gradas de Soaso”. No caminho passamos pela Cascata de Estrecho (1h de trilha), onde paramos para almoçar e de lá levamos quase 2 horas para ir até as “Gradas de Soaso”, embora todos os mapas e placas mostrassem que até aquele ponto era apenas mais 1 hora de trilha. Diferente dos outros pontos dessa trilha em que vemos as cachoeiras de mirantes, em “Gradas de Soaso” o rio Arazas fica na mesma altura da trilha.

Confesso que depois de ver tanta cachoeira eu estava morrendo de vontade de pular no rio, mas a água de lá é tão gelada que só consegui colocar a mão e mesmo assim por 5 segundos, (mais do que isso a mão chegava a doer de tanto frio).

Na volta dessa trilha, ao chegar na Cascata de Estrecho, atravessamos uma ponte que cruza o rio e descemos por uma trilha que acompanha a outra margem. Da Cascata até Pradero tem 3 pontes que permitem cruzar o Rio Arazas. Vale muito a pena conhecer os dois lados do rio. A trilha em si é muito bonita e igualmente sinalizada.

Para os mais aventureiros, há uma trilha de Pradero até Torla (4h e meia), e de “Cola de Caballo” também tem trilha até o refúgio Goriz. Ou seja, na prática, dá para ir por trilha de Torla até o Pico do Monte Perdido. Porém, seriam pelo menos umas 10 horas de trilha só a ida e para fazer isso é preciso incluir um pernoite no refúgio de Goriz. Quem quiser se aventura, no site do refúgio tem os preços e mais informações.

Todo esse passeio que fizemos no segundo dia nos Pirineus foi feito sem nenhum guia.

 

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Segundo dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Segundo dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Segundo dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Segundo dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Segundo dia nos Pirineus – Gradas de Soaso. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Segundo dia nos Pirineus. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

Terceiro dia nos Pirineus

Na terça feira, nosso terceiro dia na região, fizemos um passeio que os espanhóis chamam de Barranquismo. Dentre todos os passeios dessa viagem, esse foi o melhor de todos. Assim como não dá para ir a Barcelona sem ir à Sagrada Família, também não dá para ir aos Pirineus sem fazer o Barranquismo. Por quê??? Imagina explorar uma caverna, fazer trilha por um cânion e entrar em um rio com água a uma temperatura de 7 graus (com roupa de neoprene dos pés à cabeça, claro!). E ainda com direito a pulos de 7 metros na água e no final também fazer rapel!!! 🙂 Imaginou? Então, é tudo isso em um passeio só, com guia, e pagando 50 euros por pessoa (já incluso todo equipamento).

O nosso guia foi o Alberto Marín Lopos, da Senderos Ordesa. Achei ele muito bom, recomendo. Quem se interessar, está aqui o site deles. Essa aventura durou cerca de 4 horas e no site tem informações de diversos outros passeios, desde trilhas até aventuras como o Barranquismo com Rapel, etc. No site tem os preços, duração, fotos e muito mais.

Depois de toda essa aventura, almoçamos e pegamos a estrada de volta para Barcelona. Saldo dessa viagem: experiência incrível e a certeza de que tenho que voltar lá outras vezes. 🙂

Terceiro dia nos Pirineus: Barranquismo. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Terceiro dia nos Pirineus: Barranquismo. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Terceiro dia nos Pirineus: Barranquismo. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Terceiro dia nos Pirineus: Barranquismo. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

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Terceiro dia nos Pirineus: Barranquismo. Foto: Caio Ribeiro e Ana Duboc.

 

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Publicado por Marcelle Ribeiro

Jornalista, baiana, mas há mais de 20 anos moradora do Rio de Janeiro. Nos seus mais de 30 anos de vida, já viajou sozinha e acompanhada. Casada com o Guilherme, petlover e viciada em pesquisar novos destinos.

Comentários

  1. João
    27 jun 2015

    Ola! Estou com minha esposa neste momento em Torla e hoje visitamos o parque. Queria agradecer a postagem pois foi útil para nos! Keep up with the good work!

  2. JOSÉ VIEIRA
    18 out 2015

    para quem, em 1964, passou os Pirenéus a fugir para França, e dormiu em cima das montanhas, debaixo de cataratas, e dentro de casotas de cão e coseu pés e mãos na neve, sem comer durante 8 dias! o que aqui contas
    , é muito pouco.. é apenas burguesia… liga 916115477, me chamo josé vieira,76 anos…

  3. Andre
    08 abr 2016

    OLá, parabéns pelo post. Estou pensando em ir ao parque em julho. Você tirou algumas dúvidas que tinha.
    Tudo de bom. Abraços

  4. Fernando Silva Roque
    24 jun 2016

    Os Pireneus possuem belas quedas de água para além da beleza maravilhosa que as rodeia. No então o seu nome não surge na imagem Penso que é justo conter o nome de quem tirou a fotografia, mas deviam ser legendadas com o seu nome e a sua localização. É esta a minha opinião.

  5. José Vieira
    01 jan 2017

    em 1964 atravessei a Espanhãe os Pirinéus com destino a Salau e depois Toulouse. hoje procuro o caminho no Google earth e não encontro o meu camnho. Gostava de O mostrar pessoalmente a todos vocês e contar-vos a minha odisseia… 00351-910110206

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