Veneza em menos de dois dias

postado por Marcelle Ribeiro em 27/05/2011 - Atualizado em: 12/11/2017
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Veneza foi uma das minhas cidades preferidas na viagem que fiz à Europa nas últimas semanas (em que passei pela Holanda, Bélgica, Inglaterra e Itália. A outra cidade que mais gostei foi Amsterdam).

A cidade é “mágica”. Andar pelas ruelas seculares é indescritível e depois que você faz o passeio de gôndola é impossível não se apaixonar por Veneza. Eu saí da gôndola dando pulinhos (literalmente) de felicidade e não parava de repetir: eu estou em Veneza!! Boba, que nem criança.

Veneza é ou não é linda? Foto: Marcelle Ribeiro

Veneza é ou não é linda? Foto: Guilherme Calil

Guilherme na Praça São Marcos. Foto: Marcelle Ribeiro

Guilherme na Praça São Marcos. Foto: Marcelle Ribeiro

O que sei é que Veneza é imperdível. Veneza é o único lugar do mundo em que parede de casas descascando é lindo (você pode até não achar isso olhando as fotos, mas quando estiver lá, vai achar). Em que você entra em ruelas estreitas que a princípio parecem perigosas só de serem estreitas, mas que, na verdade, dão o charme à cidade. Em que você vai se divertir pelos labirintos das ruas da cidade e, se você se perder, nem vai se importar. E sim, a cidade é romântica. Eu não fui em lua-de-mel não, já estou casada há 2 anos e com o meu marido há 6. Mas jantar na beira do Canal Grande, com a Ponte Rialto ao fundo é muito romântico.Eu já tinha ouvido falar que a água dos canais de Veneza fede e que tem muito mosquito por lá. Não presenciei nada disso. Não sei se é por que nos dois dias que passei lá o tempo estava lindo, um sol absurdo, temperatura agradável. A água dos canais não me pareceu o esgotão que eu estava esperando, tava verde clara.

Bom, depois dessa declaração de amor a Veneza, vamos à parte prática da viagem!!

Chegamos em Veneza de avião no dia 5 de maio, e do aeroporto Marco Polo, que fica na cidade vizinha de Mestre (onde ficam também os hotéis mais baratos que Veneza e onde muitas excursões costumam hospedar os turistas), pegamos um barco para Veneza propriamente dita. Em Veneza tem vários tipos de embarcações diferentes. Até onde eu entendi (me corrijam se eu estiver errada, por favor), são esses:

– Lanchas da Alilaguna – São barcos públicos, que ligam o aeroporto de Mestre a Veneza (tem várias estações em Veneza, uma delas na Praça São Marcos, outra na estação de trem), e a outras ilhas próximas a Veneza, como Murano, Burano e Lido. Para ver o mapa das linhas (são três: Vermelha, Azul e Laranja), com horários, clique aqui. Do aeroporto Marco Polo até a Praça São Marcos você levará 1h15. O bilhete, por pessoa, custa 15 euros. Você vai sentadinho, mas da lancha não dá para ver muita coisa do lado de fora não. Você compra o bilhete nas maquininhas nos pontos e valida antes de entrar (não sei se dá para comprar na hora, dentro do barco).

– Táxi – São lanchas privadas, bem menores que as embarcações do Alilaguna. Cabem umas 6 pessoas, mais ou menos. Do aeroporto tem táxi com 5 passageiros a 100 euros para Veneza. Então, se você estiver em grupo, pode valer a pena, até porque os táxis são mais rápidos que as lanchas Alilaguna.

– Gôndola – É só para turista mesmo, não é um meio de transporte usado lá. Cabe umas 4 pessoas, além do gondoleiro. Eu e meu marido pagamos 80 euros o casal pelo passeio que saía do Canal Grande, na altura da Ponte Rialto, andava por vários pontos interessantes (casa do antigo navegador Marco Polo, igrejas lindas) e voltava à Ponte Rialto, e durou cerca de 30 minutos. Vale muito a pena o passeio, não deixe de fazer (nem que você tenha que passar o dia à base de sanduíche para pagar a gôndola). O gondoleiro vai explicando e mostrando os locais interessantes no caminho, além de contar sobre o funcionamento da gôndola, dos canais, etc. Os gondoleiros estão espalhados pela cidade, e sempre usam camisa listrada preta e branca. No cais perto da Praça São Marcos tem até “ponto” de gôndola e sempre tem gondoleiro por lá. O nosso gondoleiro ouviu a gente conversando em português sobre gôndola na Ponte Rialto e perguntou, em espanhol, se a gente queria fazer o passeio. Fizemos e ele foi super simpático.

– Vaporeto – É uma lancha que é o transporte público de lá, mas é bem mais barato que as da Alilaguna, e tem rotas diferentes. A passagem custa 6,50 euros. Até dá para ir apreciando a vista de Veneza no vaporeto, se você ficar em pé na pequena parte externa, mas você não vai ter ninguém para te explicar o que é cada prédio, e não tem o mesmo charme que o passeio de gôndola. Nas paradas tem sempre placas indicando horários das saídas e as estações. Você compra o bilhete nas maquininhas nos pontos e valida antes de entrar ou pode comprar dentro do vaporeto mesmo, com o cobrador.

Ao chegar em Veneza, tivemos um problema com o hotel que reservei, o Locanda Antico Casin. Quando liguei para eles da praça São Marcos para pegar instruções de como chegar lá, os caras já disseram que não estavam achando a minha reserva. Chegando lá, o cara da recepção disse que houve um problema com o meu quarto, que algum hóspede quebrou o banheiro, e me arrumou uma vaga no Locanda Acquavita, um bed and breakfast que não gostei. Fica a 20 minutos andando da Praça São Marcos (e eles me disseram que ficava a 10), a decoração não é bonita (o tal “estilo veneziano” é cafonérrimo), o ar condicionado não funcionava, e o chuveiro quente, no último dia, não funcionou (tive que tomar banho gelado).

Só que eu desconfio que essa é uma prática comum em Veneza. No cartão da Locanda Antico Casin também tem os dados da Locanda Acquavita, o que me faz pensar que eles são, no mínimo, parceiros. E aconteceu coisa semelhante com uma amiga minha em Veneza: ela reservou um hotel, chegou lá e na hora, os cara disseram que houve um problema com o quarto dela, e colocaram ela em outro hotel.

E desconfio ainda mais de algum “trambique” porque nós íamos ficar no Locanda Antico Casin até a manhã em que o Papa Bento XVI ia chegar em Veneza. O que é que eu acho que os italianos espertos fizeram? Com meses de antecedência, reservaram para mim um quarto a um preço com desconto. Quando souberam que o Papa ia a Veneza, reservaram o meu quarto para outra pessoa, a um preço mais alto, e inventaram essa desculpa de banheiro quebrado. E daí me empurraram para um bed and breakfast mal localizado e inferior, provavelmente do mesmo dono.

Enfim, depois de resolvido o estresse do hotel, fomos andar por Veneza. Almoçamos e fomos andar de gôndola (já descrevi a beleza das ruas de Veneza e do passeio de gôndola acima). Só a Ponte Rialto é que decepcionou um pouco, porque tem um monte de lojinha de buginganga…

Gôndola passando debaixo da Ponte Rialto. Foto: Marcelle Ribeiro

Gôndola passando debaixo da Ponte Rialto. Foto: Marcelle Ribeiro

À noite, fomos num restaurante que mega-ultra-hiper indico, para quem quer comida gostosa+ visual lindo + jantar romântico. É o Caffé Ristorante Canal Grande, que fica à beira do Canal Grande, ao lado da Ponte Rialto, junto com outros restaurantes igualmente charmosos. O endereço é Riva del Vin, 740. Abre das 9h à meia-noite. Lá tem até menu do dia (inclusive à noite), mas a gente preferiu escolher mais livremente. Presunto de Parma de entrada + dois pratos de massa deliciosos + vinho e água para duas pessoas deu 46 euros.

Os restaurantes do Canal Grande, perto de Rialto. Foto: Marcelle Ribeiro

Os restaurantes do Canal Grande, perto de Rialto. Foto: Marcelle Ribeiro

No dia 6 de maio, fomos logo cedo à Basílica de São Marcos. A gente queria fazer uma visita guiada grátis, que a própria igreja organiza, às 11h, mas como vimos uma mega-fila na porta, resolvemos entrar logo. Só que a fila entrou rápido e entramos na basílica muito antes da visita guiada. Aí a gente resolveu andar sozinho, com a ajuda do guia da Itália que levei. Para ver grande parte da basílica você não paga, mas para ver algumas partes dela (que são destaque, imperdíveis), você paga. O “Tesoro”, que é uma parte em que você vai ver presentes que deram à Igreja, custa 3 euros por pessoa. A “Pala d’Oro”, um impressionante mural de ouro e pedras, custa 2 euros. O museu da basílica, onde você vai ver mais de perto os mosaicos de pedras que formam as cúpulas, os originais dos Cavalos de São Marcos (estátuas grandes de cavalo), além de apreciar a vista da cidade lá do alto, custa 4 euros. E se você está sem guia, não se preocupe. Em todas essas atrações da basílica há várias maquininhas em que você paga 2 euros e assiste a um vídeo curto explicando sobre o que está vendo naquele trecho da igreja. Aliás, vimos maquininhas destas por quase todas as igrejas italianas por onde passamos.

A visita à Basílica agradou tanto que levamos quase 2 horas lá dentro.

 A Pala d'Oro, dentro da Basílica de São Marcos. Foto: Marcelle Ribeiro

A Pala d’Oro, dentro da Basílica de São Marcos. Foto: Marcelle Ribeiro

O almoço foi num restaurante “pega-turista” ali perto, então, não indico. Na sequência, pegamos fila (mais uma!) para subir o Campanile (ou campanário) de Veneza, que é uma torre num canto da Praça São Marcos. Pagamos 8 euros para subir, mas foi de elevador! A vista de lá é linda, mas não é tãaao diferente da do alto da Basílica São Marcos não.Depois de tapear a fome com um panini (4 euros), fomos ao Palazzo Ducale (ou Palácio dos Doges), outra atração imperdível em Veneza. Rolou uma fila na entrada também. As duas entradas (que davam direito também a ir a outros museus de Veneza, inclusive ao museu de vidro de Murano) mais o audioguia saíram a 28 euros. Antes de existir a “Itália” como o país que é hoje, e quando Veneza era independente e mega-forte, esse prédio era, ao mesmo tempo, a casa do Doge (o governante máximo de Veneza), e onde funcionavam os órgãos responsáveis por administrar Veneza. Ah, e também era onde ficava a prisão (a Ponte dos Suspiros era onde o condenado dava o último suspiro antes de morrer). O passeio demorou umas 2h também e vale a pena.

Eu queria ir ao museu de vidro de Murano, mas ele fecha cedo, às 18h, e como Murano é outra ilha e ia demorar para chegar lá, não ia dar tempo 🙁 . Uma  pena, fica para a próxima. Andamos mais um pouco em Veneza (meu chefe me ligou e pediu para eu, de lá, tentar resolver um problema pela internet, acreditam? Tive que catar uma lan house), comemos uma pizza numa biboca perto do hotel e encerramos o dia. Na manhã seguinte, partimos de trem rápido da estação de Veneza para Florença.

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Publicado por Marcelle Ribeiro

Jornalista, baiana, mas há mais de 20 anos moradora do Rio de Janeiro. Nos seus mais de 30 anos de vida, já viajou sozinha e acompanhada. Casada com o Guilherme, petlover e viciada em pesquisar novos destinos.

Comentários

  1. 13 ago 2012

    Nossa, muito obrigada pelas dicas! Me ajudou muito a planejar a minha estadia em Veneza (vou ficar também quase dois dias). Adorei seu blog!!

  2. Anonymous
    03 set 2012

    Se blog é muito legal…ajudou muito dar informações sobre os preços, tempo de espera onde há filas para entrar. Vou viajar pra lá também e já consegui planejar bem os passeios! Valeu!!

  3. 19 nov 2012

    Olá,

    Gostei do seu blog. Vou pra Veneza agora no fim do ano, perto do Natal e devo ficar dois dias. Vou aproveitar suas dicas. Vai que tem mais…

    Aproveito para convidar você a conhecer meu blog de crônicas, o “Água Crônica” http://www.aguacronica.blogspot.com.br

    Abs,

    Mauzinho

  4. 29 dez 2012

    Boa tarde, acabei de te ouvir agora mesmo na CBN (29/12), comentando sobre seu blog. Gostei, vou acompanhar. Te convido a conhecer o meu tambem, que é recente, desde Junho: http://http://destinations-for-travelers.blogspot.com.br. Obrigado

  5. Gizella Bourlier
    16 maio 2013

    Não estou conseguindo comprar no site trenitália a passagem de Florença para Pisa. É fácil comprar na estação?

    • 16 maio 2013

      Oi, Gizella,
      É fácil comprar na estação sim. Tem várias máquinas na estação onde você pode comprar os tíquetes (o visor pode aparecer com as opções em inglês se você preferir). O trem que vai de Florença para Pisa é Regionale, não dá para comprar tíquetes para esse tipo de trem pela internet. Só dá para comprar na Itália mesmo, em maquininhas ou no guichê, com atendentes.
      Abraço,
      Marcelle

  6. Anny
    13 jul 2013

    Olá Marcelle , eu gostaria de saber ao chegar no aeroporto de Marco Polo qual meeio de transporte pra chegar até meu hotel que fica em Veneza a uns 10 min da praça de San Marco? Grata Anny

    • 16 jul 2013

      Oi, Anny,
      Pegue uma lancha da Alilaguna ou uma lancha-táxi (que pode valer a pena dependendo da quantidade de pessoas para “rachar”). Está tudo escrito no post, mas copio abaixo as informações mais importantes para vc. Eu fui de lancha da Alilaguna, e foi super tranquilo.
      Abs, Marcelle.

      – Lanchas da Alilaguna – São barcos públicos, que ligam o aeroporto de Mestre a Veneza (tem várias estações em Veneza, uma delas na Praça São Marcos, outra na estação de trem), e a outras ilhas próximas a Veneza, como Murano, Burano e Lido. Para ver o mapa das linhas (são três: Vermelha, Azul e Laranja), com horários, clique aqui. Do aeroporto Marco Polo até a Praça São Marcos você levará 1h15. O bilhete, por pessoa, custa 15 euros. Você vai sentadinho, mas da lancha não dá para ver muita coisa do lado de fora não. Você compra o bilhete nas maquininhas nos pontos e valida antes de entrar (não sei se dá para comprar na hora, dentro do barco).
      – Táxi – São lanchas privadas, bem menores que as embarcações do Alilaguna. Cabem umas 6 pessoas, mais ou menos. Do aeroporto tem táxi com 5 passageiros a 100 euros para Veneza. Então, se você estiver em grupo, pode valer a pena, até porque os táxis são mais rápidos que as lanchas Alilaguna.

  7. nei campos
    28 set 2013

    Muito obrigada por todas as dicas que li sobre a Italia. Iremos no mês de março/13 e faremos Veneza/Firenze/ lago de Como. Foi tudo muito instrutivo, vou aproveitar ao máximo, sua ajuda foi ótima.

  8. Marília
    08 ago 2014

    Boa tarde Marcelle!tudo bem? adorei seu blog! estou planejando minha viagem para lá (irei em outubro) e gostaria muito de visitar Verona. Você sabe se é perto? Qual a melhor forma para chegar lá e o valor? Será que dá para ir e voltar no mesmo dia ? (ficarei 3 dias em Veneza). Também gostaria de saber qual a melhor forma de ir do aeroporto Marco Polo até a praça São Marcos. É difícil de chegar?
    estou além de ansiosa-primeira viagem a Europa- meio perdida!!rsrsrsrs
    Gostaria de aproveitar esses 3 dias e tirar um dia para conhecer Veneza (vc acha que é pouco?) e os outros dois para poder conhecer cidades próximas. Abraços!

    • 12 ago 2014

      Oi, Marília,
      Não entendi. Você quer saber se Verona é perto de onde? De Veneza? De Roma? Por favor, me informe melhor para que eu possa te responder.
      No post eu explico como fiz para ir do aeroporto Marco Polo até a Praça São Marcos, releia com calma.
      Quando você fala que tem 1 dia para conhecer Veneza está contabilizando neste 1 dia o tempo que terá que gastar para chegar até lá e voltar para a sua cidade-base?
      Abs

  9. Elis
    21 nov 2014

    Marcela, comprei as passagens de trem a Veneza, bate e volta como te disse em post anterior. Gostaria de uma orientação para quando descer do trem, pego ônibus, lancha, o que para chegar até Veneza mesmo? Ou a estação de trem já é dentro de Veneza? Obrigada

  10. sandra borges
    30 jan 2016

    adorei seu post, li vc falando sobre um jantar gastando 46 euros , achei muito bom o valor, quanto se gasta por dia mais o menos para comer e passear, e tb sabe dizer se consigo comprar passagem de trem de savona para florenca na estacao ou e melhor pelo site, e tb tenho que comprar de florenca para veneza , a mesma pergunta, obrigada

    • 03 fev 2016

      Oi, Sandra,
      O gasto com comida depende do perfil de cada um, é muito pessoal. Almoce bem, pois na hora do almoço os preços são mais acessíveis que no jantar e há menus que combinam entrada + prato principal + sobremesa ou bebida a preços atrativos. À noite, faça um lanche ou coma um petisco.
      Você consegue comprar a passagem de trem de Savona para Florença pelo site sim. Veja os preços e horários e compre pelo site http://www.trenitalia.com/ (coloque Firenze para Florença). A mesma coisa para a passagem de Florença para Veneza.
      Abraço,
      Marcelle

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