Cataratas argentinas: Não perca o Parque Nacional Iguazú

postado por Marcelle Ribeiro em 18/09/2014 - Atualizado em: 17/02/2016
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Quedas d’água belíssimas, em grande quantidade, vistas por ângulos diferentes e muito gotículas para refrescar os visitantes. E mais: a formação da Garganta do Diabo, “cachoeira” mais famosa do Brasil, vista do alto. Isso é o que os turistas que vão ao lado argentino das Cataratas do Iguaçu poderão apreciar. Pra quem não sabe, as cataratas não ficam apenas em território brasileiro, na cidade de Foz do Iguaçu (PR). Essa maravilha da natureza é “dividida” ao meio por uma fronteira imaginária: as quedas começam no Brasil e continuam na cidade de Puerto Iguazu, na Argentina. Cada país tem o seu parque, com estrutura própria. E, na minha opinião, você tem que ir aos dois, para conhecer as quedas d’água em toda a sua magnitude. Vai por mim: você vai amar o lado argentino também.

Garganta do Diabo, no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Garganta do Diabo, no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Mas aviso logo: impossível visitar as cataratas brasileiras (falei delas neste post aqui) e as argentinas no mesmo dia. Você vai ter que separar um dia para cada. Na verdade, eu dediquei três dias às cataratas: no primeiro fui ao lado brasileiro, no segundo fiz as trilhas “obrigatórias” do lado argentino, e no terceiro voltei ao parque dos hermanos para fazer uma trilha diferente, mais longa a uma cachoeira menos famosa. No dia que for ao Parque Nacional Iguazú (na Argentina) fazer as trilhas principais vá preparado, pois você vai andar bastante, mais que no parque de Foz.

Eu cheguei no lado argentino pouco depois do parque abrir, e fiquei até perto de fechar. Fiz todas as trilhas principais, algumas com sol na cabeça. Mas não se assuste quando eu digo “trilha”: os caminhos que levam aos mirantes das cataratas são todos pavimentados, com cimento ou passarelas de ferro e bem sinalizados. É como se fosse um parque de diversões, mas ao invés de roda-gigante e montanha-russa, as atrações são os mirantes. Vi muitas crianças, mães com carrinhos de bebê e idosos. Mas vi também muitos jovens. Gente era o que não faltava quando estive lá, em março desse ano.

Antes de explicar os roteiros feitos no parque, vou falar de algo que todo mundo pergunta: que roupa vestir para ir ver as cataratas. Vá com uma roupa de fazer exercícios físicos e tênis, pois você vai andar bastante. Além disso, você vai provavelmente querer sentir as gotinhas de água no seu corpo, o que é possível de um mirante do parque. Então, recomendo uma roupa que seque rápido. E se você for como eu, vai fazer o passeio de lancha (opcional e pago à parte) que leva para perto das quedas… e aí, meu amigo, vai se molhar muuuuuito! Neste caso, leve uma toalha e uma roupa para trocar lá em uma mochila (mas prepare-se para carregá-la durante todo o passeio, já que lá não há armários para os visitantes perto do cais onde a lancha fica). Não precisa levar repelente, mas boné, óculos escuros e protetor solar são altamente recomendáveis.

Preparados para conhecer as trilhas do Parque Nacional Iguazú?

 

Logo que você entrar no parque, vai ver placas para a estação Central do trenzinho que funciona lá dentro. Há três estações no parque, que conectam diferentes pontos dele. Mas sugiro que você ignore a estação Central e, logo depois de passar pelas catracas de entrada do parque, caminhe pelo Sendero Verde (Trilha Verde), um percurso de 600 metros que vai levar à Estação de Trem Cataratas. Por que não sugiro ir de trem da Estação Central até a Estação Cataratas? Porque o trem demora a passar e não vai direto até a última estação, chamada Estação Garganta do Diabo. Melhor que esperar séculos por um trem para depois ter que fazer baldeação é caminhar 600 metros, certo?

Sendero Verde, trilha facílima no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Sendero Verde, trilha facílima no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Trenzinho do Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Trenzinho do Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Na Estação Cataratas você tem três opções:

– fazer a trilha chamada Paseo Superior (Circuito Superior), que tem 650 metros e permite uma vista panorâmica dos saltos da parte de cima.

Paseo Superior, no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

Paseo Superior, no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

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Paseo Superior, no Parque Nacional Iguazú. Foto: Marcelle Ribeiro

– fazer a trilha chamada Paseo Inferior (Circuito Inferior), que tem 1.700 metros e possibilita apreciar as quedas pela parte de baixo. É no Paseo Inferior que fica o cais para embarcar na lancha que te levará para pertinho das cataratas (passeio opcional e pago à parte, chamado Aventura Náutica) ou para a Ilha de San Martín (incluído na entrada do parque). É lá também que ficam mirantes para você “sentir” as gotas de água voando e caindo no seu corpo.

Lancha que leva às cataratas no Paseo Inferior. Foto: Marcelle Ribeiro

Lancha que leva às cataratas, vistas do Paseo Inferior. Foto: Marcelle Ribeiro

Paseo Inferior. Foto: Marcelle Ribeiro

Paseo Inferior. Foto: Marcelle Ribeiro

Mirante para se refrescar com gotinhas de água, no Paseo Inferior. Foto: Marcelle Ribeiro

Mirante para se refrescar com gotinhas de água, no Paseo Inferior. Foto: Marcelle Ribeiro

– pegar o trem para a Estação Garganta do Diabo, de onde você fará uma trilha de 1.100 metros para ver a Garganta do Diabo se formando lá em cima. Ao descer na estação, vá para perto do banheiro e veja dezenas de borboletas “comendo” o salzinho das pedras que ficam no chão daquela área. É lindíssimo! Ah, outro aviso: prepare-se para a muvuca para tirar foto no mirante da Garganta: cada centímetro é disputado! O último trem para a estação Garganta do Diabo parte às 16h10 e os embarques acontecem a cada 30 minutos, mas espere filas grandes!

Foto: Marcelle Ribeiro

Dezenas de borboletas na trilha para a Garganta do Diabo. Foto: Marcelle Ribeiro

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O “gogó” da Garganta do Diabo 🙂

Eu recomendo que você veja todas as atrações citadas acima. A ordem é a gosto do freguês. Há quem recomende não começar pela Garganta do Diabo, porque muitas pessoas vão ao parque apenas para vê-la e, por isso, ela costuma ficar mais cheia pela manhã. Eu comecei pelo Paseo Superior, que achei que seria o menos emocionante, e depois fiz o Paseo Inferior, e já aproveitei e fiz logo o passeio de barco Aventura Náutica. Foi bom porque na hora em que me molhei nas cataratas era início de tarde, estava sol e calor e me refresquei. E depois fui me secando ao longo do dia com o sol.

O Aventura Náutica, aliás, é divertidíssimo. Você vai numa lancha com mais umas 10 pessoas até bem perto das cataratas e se molha bastante. É um passeio bem seguro. Como eu já disse aqui, nas cataratas brasileiras há um passeio semelhante, chamado Macuco Safári, que é bem mais caro que o Aventura Náutica (o Aventura estava custando cerca de R$ 90 quando fui, contra R$ 170 do Macuco). A vantagem do passeio argentino, além do preço, é que ele passa mais vezes perto das quedas d’água. Se você for ao parque brasileiro e ao argentino e tiver que escolher entre um dos dois passeios de barco, faça apenas o Aventura Náutica, que é mais legal e mais barato. Li relatos de pessoas dizendo que o Aventura Náutica era menos seguro e anos atrás, um turista morreu na atração argentina, mas acho que de lá para cá, as coisas mudaram. Eu, no entanto, achei o que o nível de “emoção” dos dois era o mesmo e em ambos os instrutores zelavam pela segurança dos visitantes. Não precisa ser nenhum jovem aventureiro para curtir.

Lancha do Aventura Náutica. Foto: Marcelle Ribeiro

Lancha do Aventura Náutica. Foto: Marcelle Ribeiro

O Parque Nacional Iguazú tem dois restaurantes e várias lanchonetes em áreas diferentes. Eu almocei umas empanadas depois de fazer o combo Paseo Superior+ Paseo Inferior +Aventura Náutica, por volta das 14h30. Achei melhor lanchar e deixar para jantar em algum lugar legal. Ah, na hora de comer, cuidado com os quatis! Eles roubaram um saco de empanadas de uma família que “deu mole” na mesa ao meu lado!

Quati, sempre pronto para roubar a sua comida! Foto: Marcelle Ribeiro

Quati, sempre pronto para roubar a sua comida! Foto: Marcelle Ribeiro

Eu só lamentei não ter conhecido a Isla San Martín, pois o acesso para ela estava fechado, devido ao grande volume de água naqueles dias.

No próximo post, eu falo das atrações complementares do Parque Nacional do Iguazú (que não são “obrigatórias”, mas que são bacanas também).

 

Parque Nacional de Iguazú:

 

Endereço: Victoria Aguirre, 66, Puerto Iguazú, Argentina.

Site: http://www.iguazuargentina.com/

Preço: Brasileiros, paraguaios, uruguaios e venezuelanos pagam 150 pesos (adulto). Argentinos pagam 80 pesos e pessoas de outras nacionalidades pagam 215 pesos. Só é possível pagar em dinheiro e em PESOS. Por isso, lembre-se de levar pesos para comprar o tíquete. Se você for visitar o parque no dia seguinte ao da primeira visita, você terá 50% de desconto no bilhete do segundo dia. Basta carimbar seu tíquete na bilheteria na hora de sair, no primeiro dia, e apresentá-lo na bilheteria novamente no dia seguinte.

Horário de funcionamento: Abre todos os dias, às 8h. A entrada só é permitida até às 15h, mas o parque só fecha às 18h.

Passeio de barco: A empresa que oferece o passeio de barco Aventura Náutica é a Iguazu Jungle (iguazujungle.com). No Aventura Náutica, você passa cerca de 15 minutos na lancha, mas como tem que se preparar antes, colocar colete e fazer uma pequena trilha, acaba demorando 1h30 pra fazer tudo. Custava 220 pesos em março de 2014. A Iguazu Jungle também oferece outras atrações: o Gran Aventura (que é basicamente o Aventura Náutica + um passeio de lancha por um trecho maior + um percurso de 5,5 km feito de jipe, com 1h20 de duração. Quando fui, este custava 450 pesos argentinos) e o Paseo Ecológico (navegação serena em bote para ver a fauna e flora, 30 minutos de duração, custava 100 pesos). Não fiz nenhum desses dois (e dizem que o Paseo Ecológico só é legal quando a água das quedas está clara, pois, caso contrário, não se vê muito).

OBS: Se você vai com malas para o Parque Nacional do Iguazú, fique tranquilo: na lojinha que fica na entrada do parque há local para deixar as bagagens pelo dia inteiro, mediante o pagamento de uma pequena taxa.

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Publicado por Marcelle Ribeiro

Jornalista, baiana, mas há mais de 20 anos moradora do Rio de Janeiro. Nos seus mais de 30 anos de vida, já viajou sozinha e acompanhada. Casada com o Guilherme, petlover e viciada em pesquisar novos destinos.

Comentários

  1. Hugo
    01 nov 2016

    c sabe se eles aceitam cartão de crédito?

  2. FLÁVIA
    19 nov 2016

    Que blog maravilhoso, estou indo para Foz, dia 06 de janeiro/2017, estou catando todas as informações possíveis e aqui foi o que encontrei informações bastantes uteis..Ameiii
    Uma dúvida, é viável se hospedar em Puerto Iguazu? Não falo espanhol rsrsr Mas gostaria de passar dois dias por lá

    • 24 dez 2016

      Oi, Flávia,
      Eu me hospedei em Foz e me arrependi. Acho Puerto Iguazu mais à mão, com restaurantes deliciosos e vida noturna concentrados em um centrinho gostoso de andar. Em Foz há bem menos opções de onde comer e elas não são tão bacanas. Sobre o espanhol, fique tranquila, os moradores de Puerto Iguazu estão super acostumados a receber brasileiros e falam português.
      Abs

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