Inhotim: as melhores atrações para um roteiro de 2 dias de viagem

postado por Marcelle Ribeiro e publicado em 05/09/2015 - Atualizado em: 26/06/2019
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Pense num lugar cheio de obras de arte a céu aberto, rodeadas de jardins incríveis e lagos. Pense em artistas modernos, contestadores, ousados, que se expressam por meio da fotografia, escultura, pintura e exposições inusitadas (algumas, eu diria, até meio malucas). Pense num lugar que respira arte e natureza. Esse lugar é Inhotim, um centro cultural super diferente que fica na cidade de Brumadinho, a cerca de 60 km de Belo Horizonte (MG).

Eu nunca fui uma louca por arte. Mas gosto de aprender, de apreciar coisas diferentes, especialmente instalações que me façam pensar e interagir. E sou completamente vidrada em natureza, mato, verde. Por isso, quando li a primeira vez sobre Inhotim, e vi as fotos incríveis de lá, eu tinha que visitar. E finalmente consegui em abril desse ano.

O museu é gigante: são nada menos que 45 hectares (ou 450.000 metros quadrados). Consenso entre blogueiros e guias de viagem é que mesmo leigos precisam de 2 dias para conhecer bem o lugar. Todos os relatos que li de pessoas que visitaram em apenas 1 dia diziam que o passeio tinha sido bem corrido, que elas tiveram que gastar mais para poder pegar o transporte interno (o que não é necessário quando se tem 2 dias lá) e que tiveram que pesquisar previamente e escolher muuiiito que obras conhecer. Ora, mas se a graça de um museu inusitado é justamente poder se surpreender com o lugar, quando você pesquisa demais antes, boa parte do impacto se perde. O Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem, já disse: “quanto menor seu conhecimento prévio, maior seu encantamento em Inhotim“. Pois é, ele, como sempre, estava certo.

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Por isso, reservei 2 dias inteiros para o museu, e foi ótimo. Eu e minha irmã tivemos tempo para tirar mil fotos, brincar entre as instalações, almoçar com calma, caminhar. No final do último dia, até deitamos na grama pra descansar. Uma delícia!

Agora, as dicas práticas. Inhotim é dividido em 3 circuitos: rosa, amarelo e laranja. Você recebe um mapa quando passa na roleta com todos eles (veja ele aqui). O ingresso dá direito a conhecer obras de todos os circuitos na ordem que o visitante quiser e não é preciso esperar para entrar em uma atração específica. São mais de 20 obras de arte espalhadas no meio dos jardins e 22 galerias (com dezenas de peças em cada uma delas). Ah, e elas mudam ao longo do ano, pois há algumas que ficam em Inhotim apenas temporariamente.

Para chegar a algumas obras você terá que subir algumas ladeiras e, quem quer poupar as pernas pode comprar na bilheteria passes diários para usar os carrinhos. Estes são tipo “de golfe”, com motorista, e estão disponíveis para fazer alguns trajetos do museu (não dá para andar pelo museu todo). O preço atual é de R$ 20 (por pessoa/por dia). Às vezes é preciso esperar um pouco para o carrinho passar e nem sempre ele terá lugares disponíveis. Não usei o serviço, preferi caminhar.

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Inicialmente eu havia pensado em fazer o circuito rosa e amarelo em um dia e deixar o laranja para outro. Mas percebemos que para facilitar a logística do almoço, era mais fácil fazer o circuito rosa (onde há o restaurante com melhor custo benefício, o Oiticica, um quilo gostoso, diversificado e lindo, que cobra R$ 52,90 por quilo) e parte do circuito amarelo em um dia e, no outro, o circuito laranja e a outra parte do circuito amarelo. É que o circuito amarelo fica entre o rosa e o laranja. E só há 3 restaurantes com comida “de verdade” em Inhotim, apesar de haver lanchonetes espalhadas pelo centro cultural. Um dos restaurantes fica no circuito rosa, perto da entrada do museu e os outros 2 no circuito amarelo.

Nós conhecemos TODAS as obras de arte do Inhotim que estavam abertas ao público (algumas áreas estavam em manutenção). Abaixo vou dizer quais foram as nossas preferidas de acordo com a ordem em que as vimos, ok? Não vou explicar o que elas significam aqui, porque todas essas informações você terá lá, já que há plaquinhas indicando os significados das obras e as intenções dos artistas.

 

Dia 1 – Circuito Rosa + Parte do circuito Amarelo:

Chegamos ao Inhotim por volta da 11h de um sábado, meio de feriadão (o museu abre às 9h30), ficamos cerca de 40 minutos na fila para comprar o nosso passe de 2 dias (que custou R$ 76, mais barato que comprar 2 passes diários, que custariam 2x R$ 40).

As melhores atrações desse dia foram (na ordem em que visitamos):

 

Circuito Rosa:

– O lago

O lago do Circuito Rosa. Foto: Marcelle Ribeiro

O lago do Circuito Rosa do Inhotim, com obra de arte ao fundo. Foto: Marcelle Ribeiro

– As esculturas de Edgard de Souza (no mapa de Inhotim é o A16).

Esculturas de Edgard de Souza em Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

Esculturas de Edgard de Souza em Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

– A exposição de fotos do Pelourinho e do deserto do Miguel Branco, na galeria que leva o nome dele (no mapa de Inhotim é o G16).

– A instalação em que você escuta o som da terra, na galeria de Doug Aitken (no mapa de Inhotim é o G10), em um prédio que mais parece uma espaçonave.

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Som da terra na galeria de Doug Aitken, em Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

– A instalação com um trator e uma árvore branca dentro de uma “oca” de vidro no meio do mato, na Galeria Matthew Barney (no mapa de Inhotim é o G12).

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Galeria Matthew Barney, em Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

 

Circuito Amarelo:

– O lago que fica no circuito amarelo, perto da parte alta do circuito rosa e das galerias G1 (Mata) e G2 (True Rouge).

Lago entre os circuitos amarelo e rosa, em Inhotim.

Lago entre os circuitos amarelo e rosa, em Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

Nesse dia, almoçamos no restaurante Oiticica, pouco antes da nossa chegada, porque já chegamos no final da manhã. Saímos na hora que o parque fecha.

 

Dia 2 – Circuito Laranja + parte do circuito Amarelo:

No nosso segundo dia chegamos às 9h15, pouco depois do museu abrir, para garantir que ia dar tempo de ver tudo. Deu, e ainda sobrou (tanto que cochilamos uns 30 minutos na beira de um dos lagos e ainda fomos embora cerca de 1h antes do museu fechar). Foi o nosso dia preferido, porque AMAMOS as obras do circuito Laranja. Elas são bem interativas, muito loucas (rsrsrs) e te fazem pensar.

As melhores atrações desse dia foram (na ordem em que visitamos):

 

Circuito Laranja:

– Galeria Lygia Pape (no mapa de Inhotim é o G20).

– Galeria Adriana Varejão (no mapa de Inhotim é o G7).

– Lago do circuito Laranja:

Lago do circuito laranja, em Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

Lago do circuito laranja, no Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

– A Galeria Valeska Soares (é o G14), em que você brinca de dançar.

– A obra de Olafur Eliasson (é o A 13), que é um telescópio de espelhos que giram e permitem você ver a mata de uma maneira super diferente.

O telescópio de espelhos de Olafur Eliasson. Foto: Marcelle Ribeiro

O telescópio de espelhos de Olafur Eliasson. Foto: Marcelle Ribeiro

– A instalação sonora arrepiante do Galpão Cardiff e Miller, que relata um assassinato (é o G11).

– O galpão Marilá Dardot, em que todo mundo brinca de plantar sementes nos tijolos em formato de letras e depois monta palavras (é o G17 no mapa de Inhotim).

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Brincando de plantar no galpão Marilá Dardot, em Inhotim.

– A Galeria Cosmococa, que é toda escura, em que você é obrigado a tirar os sapatos, pode se molhar em piscinas, deitar em redes, dormir em colchonetes e todo tipo de maluquice para interagir com a instalação (no mapa de Inhotim é o G15).

– Os fuscas lindos e coloridos de Jarbas Lopes (é o A6 no mapa de Inhotim).

Os fuscas coloridos de Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

Os fuscas coloridos de Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

Toda essa parte que acabei de descrever nós visitamos antes do almoço. Nesse dia, comi por volta das 13h30 no restaurante Tamboril, que fica no meio do circuito Amarelo. Eu já sabia que eles só trabalhavam no esquema buffet liberado e que cobravam caro pelo buffet (se não me engano uns R$ 80 a R$ 90 por pessoa), mas não achei que a comida vale o investimento. É bem gostosa e variada, mas não justifica o preço. O melhor, nesse dia, teria sido comer um sanduba na lanchonete ali perto e deixar para jantar à noite (já que o restaurante a quilo do Inhotim, o Oiticica, fica longe dali). Ao lado do Tamboril tem outro restaurante, o Bar do Ganso, que no dia em que fomos estava servindo apenas exatamente a mesma comida do Tamboril, com o mesmo esquema e preço de buffet, mas apenas num ambiente decorado de outra forma.

Ah, não é permitido fazer piquenique no Inhotim, mas você pode levar água, biscoitos e frutas e comer à beira do lago ou caminhando, que ninguém te incomodará.

Depois do almoço as melhores atrações que visitei nesse segundo dia foram:

Circuito Amarelo:

– O lago do circuito Amarelo.

Jardins e lago do circuito amarelo de Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

Jardins e lago do circuito amarelo de Inhotim. Foto: Marcelle Ribeiro

– A instalação sonora com coral arrepiante e de fazer chorar na Galeria Praça (no mapa é o G3).

 

Inhotim:

Endereço: Rua B, 20, Inhotim, Brumadinho (MG).

Como chegar: A empresa Saritur tem ônibus executivo que sai da rodoviária de Belo Horizonte e vai direto ao estacionamento do Inhotim, todos os dias e custa R$ 26,95 por pessoa, por trecho. Só há um horário: partida de BH às 8h15 e chegada em Inhotim às 10h. No retorno, que custa R$ 26,45, você sai do Inhotim às 16h30 e chega na rodoviária da capital mineira às 18h20.

Eu e minha irmã preferimos alugar um carro no aeroporto de Belo Horizonte, pois, na ponta do lápis, considerando outros deslocamentos que íamos fazer em Minas nos 3 dias de feriado (como ida e volta pro aeroporto, passeio em BH, ida a bares e os trechos até Inhotim) acabou ficando mais barato alugar carro do que ir de ônibus. Ou seja, o ônibus compensaria se eu estivesse sozinha ou se a gente não estivesse a fim de dirigir.

Para percorrer os cerca de 63km do nosso albergue num bairro central de BH ao Inhotim levamos cerca de 1h30, pois apesar de usarmos aplicativos, Google Mapas e mapa impresso e de termos estudado os trajetos previamente, nos perdemos em alguns momentos. A região metropolitana de BH tem muitos elevados e viadutos e um erro te obriga a fazer um retorno meio distante e parar para se achar. Na volta, o Waze nos levou por dentro de uma favela de Contagem! Não minto, o retorno do centro cultural a BH foi meio tenso.

O Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem, fez um ótimo post com detalhes de como chegar ao Inhotim, não apenas de BH mas também do aeroporto de Confins e de outras cidades mineiras. Dá uma olhada aqui.

Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira: 9h30 às 16h30. Sábado, domingo e feriado: 9h30 às 17h30. Segunda-feira não abre.

Preços: O passe diário custa R$ 25 de terça a quinta-feira, e R$ 40 de sexta a domingo e  em feriados. Às quarta-feiras a entrada é grátis (exceto se for feriado). Idosos acima de 60 anos e crianças de 6 a 12 anos pagam meia-entrada.Crianças de até 5 anos não pagam.

O passaporte para 2 dias custa R$ 76 (inteira) e para 3 dias custa R$ 110 (inteira). É possível comprar passaportes com meia-entrada. Para evitar ter que pagar a taxa de conveniência do site (que hoje está custando quase R$ 17 por pessoa!!), nós preferimos comprar os nossos passaportes de 2 dias na bilheteria. Pegamos fila na bilheteria no primeiro dia, de 40 minutos, mas valeu a pena a economia. No segundo dia já estávamos com o ingresso e entramos direto. O museu diz que não há risco de os ingressos se esgotarem porque a área é gigantesca. Mesmo em feriados não fica cheio.

O transporte interno (carrinho) custa R$ 20 por dia por pessoa.Veja as rotas dele aqui.

 

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Comentários

  1. Regiane
    13 out 2015

    Ótimo post! Estou planejando ir lá! obrigada pelas dicas!

  2. Gerusa
    27 ago 2016

    Olá! Adorei seu site, está me ajudando muito,obrigada! :*

  3. Tiago
    23 nov 2016

    Excelente página!!
    Eu e minha esposa estamos querendo ir a Inhotim, mas não sabemos muito sobre o lugar. Nos ajudou muito.

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