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Marcelle Ribeiro

Marcelle Ribeiro, jornalista e viajante

Já acampei de mochila, barraca e saco de dormir. Já dividi banheiro com desconhecido na Europa (mas nunca o quarto!). Já fiquei em pousadinha simples na praia, mas também já fiquei em hotelão e em all-inclusive. Não posso saber que estarei de folga num feriado que já corro para os sites das companhias aéreas. Não curto muito excursão nem city tour e gosto de decidir quando e como vou fazer os passeios que quero.

Dólar alto: especialista diz como economizar na hora de comprar

26 de fevereiro de 2015, por Marcelle Ribeiro

O que é mais vantajoso, comprar dólar em bancos ou casas de câmbio? É melhor comprar a moeda estrangeira para a tão sonhada viagem toda de uma vez ou ir fazendo várias transações aos pouquinhos? E quem já tem viagem marcada para as próximas semanas: deve esperar ou resolver logo a compra dos dólares? Para responder a essas e outras perguntas de quem pretende embarcar rumo ao exterior, o Viciada em Viajar conversou com o especialista em finanças pessoais Marcos Silvestre. Economista com MBA em Finanças e Controladoria pela Universidade de São Paulo (USP) e colunista da rádio BandNews FM, da TV Bandeirantes e do jornal Metro, ele avisa: “Dólar recuando (com um mínimo de sustentabilidade) para os R$ 2,50 é movimento que, se virmos em 2015, será somente para o segundo semestre. Antes disso, talvez pontualmente, por poucos dias (ou até um único dia isolado)”.

Autor de diversos livros sobre finanças pessoais, o professor Marcos Silvestre aconselha: “comprar dólar logo é uma forma de “fechar a conta” em reais e, a partir daí, desencanar, evitando a ansiedade de vir a ter (e talvez perder) a oportunidade de fazer uma compra um pouco melhor em algum dia específico”. Nesta entrevista exclusiva, ele fala não apenas sobre dólar, mas também sobre o euro e  sobre turistas que vão viajar para países que aceitam outras moedas.

 

Viciada em Viajar: Como o dólar deve se comportar nas próximas semanas? Quanto você acha que ele estará valendo? E nos próximos meses?

Marcos Silvestre: Tanto nas próximas semanas quanto nos próximos meses, ainda durante todo o primeiro semestre de 2015, a cotação do dólar estará mais pressionada para cima, ficando mais próxima do teto R$ 3,00 do que da base R$ 2,50. O mercado de dólar, assim como todos os demais segmentos do mercado financeiro (o de moedas estrangeiras em geral, o de bolsa de valores, o de índices futuros e até mesmo de commodities…) está sujeito a movimentos altamente especulativos no curtíssimo prazo (horizonte inferior a um ano). A “lógica especulativa” para o dólar, que é a moeda internacional, tido como “moeda forte”, costuma ser cartesiana: economia local fragilizada = procura acentuada pela “moeda forte” internacional = cotação mais elevada do dólar (= cotação rebaixada da moeda local frente ao dólar). Isto vale para o Brasil, mas também para todas as demais economias do mundo. Basta observar a desvalorização do euro frente ao dólar nos últimos dois anos, refletindo o fraco desempenho das economias da zona do euro frente à razoável recuperação da economia americana no mesmo período.

 

Há algo no horizonte que permita crer que haverá uma baixa no dólar (algum anúncio importante do governo brasileiro ou do governo americano)?

Se as novas medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo desde o início do ano surtirem o efeito esperado de “moralização” da condução da política econômica do governo, aumentando a confiança de empresários e consumidores, sem que a inflação ultrapasse de forma recorrente o teto da meta estabelecida pelo governo (6,5% ao ano), então a conjuntura econômica facilitará um recuo do dólar rumo à cotação de R$ 2,50.

 

As denúncias de corrupção na Petrobras influenciam na cotação do dólar?

Sim, e por dois principais motivos: 1) o ambiente político, quanto mais instável, mais favorece a especulação com a “moeda forte internacional”, e o caso “petrolão” está diretamente associado ao governo Dilma, e 2) a Petrobras é grande importadora de petróleo/combustíveis: se problemas de gestão afetam sua capacidade de produção, como já estão afetando, as importações tendem a aumentar e assim pressionar a demanda por dólares, bombando sua cotação para cima.

 

E as mudanças de ministros e cargos de alto escalão?

Quando interpretadas como positivas pelo mercado financeiro, empresarial e consumidores, as mudanças aliviam a cotação do dólar (o contrário também é verdadeiro). Veja-se, por exemplo, o próprio “efeito tranquilizador” com a escolha de um profissional competente e experiente do mercado financeiro para Ministro da Fazenda.

 

Vamos voltar ao patamar de cotação do dólar R$ 2,50? Ou R$ 3 é a tendência até o fim do semestre?

Dólar recuando (com um mínimo de sustentabilidade) para os R$ 2,50 é movimento que, se virmos em 2015, será somente para o segundo semestre. Antes disso, talvez pontualmente, por poucos dias (ou até um único dia isolado).

 

Com o dólar a quase R$ 3, os turistas que têm viagem marcada para as próximas semanas que ainda não compraram a moeda americana devem comprar logo ou é melhor esperar?

Comprar logo é uma forma de “fechar a conta” em reais e, a partir daí, desencanar, evitando a ansiedade de vir a ter (e talvez perder) a oportunidade de fazer uma compra um pouco melhor em algum dia específico.

 

E se a decisão for comprar agora, é melhor comprar tudo de uma vez? Ou um pouco a cada dia?

Fracionar a compra pode ter desvantagens como pagar uma nova tarifa bancária a cada nova compra, encarecendo o custo total da compra, além do incômodo de ficar providenciando uma nova operação a cada dia, inclusive incorrendo no eventual custo de DOCs/TEDs para a casa de câmbio, no caso de se escolher este tipo de ponto de venda da moeda estrangeira. Ademais, casas de câmbio confiáveis não costumam vender e entregar em domicílio quantias inferiores a US$ 500.

 

O que é melhor: comprar dólar em espécie, em cartões tipo Visa Travel Money ou fazer as compras no cartão de crédito?

Cartões de débito internacional, assim como cartões de crédito, são mais práticos e seguros. Mas em ambas estas opções de meio de pagamento internacional é cobrado IOF de 6,38%, encarecendo cada gasto justamente nesta porcentagem. No caso do cartão de crédito, há ainda a ansiedade da incerteza quanto à cotação do dólar/euro na data futura do pagamento da fatura, o que pode encarecer inesperadamente os gastos e compras realizadas no cartão. A compra de papel moeda paga IOF de apenas 0,38%, e deve-se ter cuidado com a procedência da notas, fugindo-se das falsificadas. Com dinheiro em espécie, o cuidado durante a viagem terá de ser dobrado, evitando roubos e perdas. Para quem é cuidadoso e organizado, esta ainda é a opção mais econômica para aquisição de dólares/euros.

 

E o viajante que ainda não comprou passagem aérea em dólar, mas já quer comprar: é melhor comprar logo para garantir uma tarifa mais baixa mas com dólar alto OU adiar a compra da passagem para pegar uma cotação mais vantajosa (e correndo o risco de só conseguir tarifas mais altas)?

O ideal é comprar parcelado em reais, até para não pesar tanto no orçamento.

 

Prof. Marcos SIlvestre_COR

Professor Marcos Silvestre dá dicas para compra de moeda. Foto: Acervo pessoal.

 

 

Para quem decidiu ou precisa comprar dólar logo: como achar uma casa de câmbio que ofereça cotações melhores? Há algum mecanismo que permita comparar as cotações de diferentes casas de câmbio de uma maneira unificada, simples e rápida? Ou é preciso telefonar uma por uma mesmo?

Este é um mercado extremamente dinâmico: as posições de caixa (de moeda estrangeira) de bancos e casas de câmbio podem mudar demais em questão de poucos dias (excesso X escassez de dólar/euro = competividade X moeda mais cara). Assim, ligar de casa/banco em casa/banco no momento da compra ainda é a forma de se fazer a pesquisa mais acertada rumo à compra mais econômica.

 

As cotações das casas de câmbio são reguladas por alguma lei ou fiscalizadas?

Todas (as sérias, de aeroportos e shoppings, por exemplo) são fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. A “lei” que regula as cotações das moedas estrangeiras é uma só: a de mercado (procura X demanda = preço).

 

Em que o turista tem que ficar atento na hora de comprar moeda estrangeira na casa de câmbio?

Tem que ser localizada em local seguro (aeroportos, shoppings, lojas de rua em regiões de comércio intenso), devem ser bem montadas e bem recomendadas por quem já usou (consulte amigos que viajam muito ao exterior). Evite doleiros informais, ainda que “bem recomendados”. O problema não é só quanto à veracidade das notas compradas, mas também a questão da segurança pessoal do comprador: há casos em que a entrega é feita em domicílio por um “olheiro”, e na sequência a residência da pessoa é assaltada, roubando-se os dólares comprados e muita coisa mais.

 

De maneira geral, é mais vantajoso comprar dólar em bancos ou em casas de câmbio?

Boas casas de câmbio costumam ter cotações ligeiramente mais competitivas que grandes bancos. Isto porque, não tem tanta captação inercial (como os bancos), e precisam criar uma tradição de agradar seus clientes.

 

Um amigo comprou dólar em um grande banco a uma cotação melhor que a que apurei em outro local. Mas na hora de efetuar a compra, ele foi surpreendido por uma taxa alta (quase R$ 50) pela transação. Resultado: o preço final do dólar que ele comprou não ficou tão barato como ele esperava. Como evitar surpresas como essas?

Sim, bancos costumam cobrar tarifa de venda da moeda estrangeira, e também cobrar DOCs e TEDs para casas de câmbio que não sejam do mesmo grupo financeiro. Daí a conveniência em concentrar a compra, em casos em que a alternativa seja pulverizá-la por poucos dias.

 

Está mais vantajoso ir para a Europa que para os Estados Unidos?

O euro se valorizou frente ao real apenas metade do que o dólar nos últimos dois anos. Mas ainda é mais caro, na média, o turista brasileiro hospedar-se, comer, passear e comprar na Europa do que nos EUA (de 30% a 50% mais caro, para estabelecimentos de um mesmo padrão em cidades de porte e procura turística comparáveis).

 

Um leitor do blog pergunta: e o euro, vai subir até abril? Melhor comprar logo ou aguardar?

Não é tanto o euro que vá se manter alto, mas o real é que se manterá baixo. A cotação da moeda europeia não deve ceder muito nas próximas semanas e meses. Para ficar mais tranquilo: comprar já e fechar a conta da viagem em reais. E lógico: a partir daí, esquecer a cotação para não se torturar!

 

Para os turistas que vão viajar para países em que tanto o dólar quanto o euro são moedas fortes e que vão precisar fazer o câmbio para a moeda local de qualquer maneira chegando lá (Ásia, por exemplo): é melhor comprar e levar euros ou dólares?

Ambas as moedas são muito bem aceitas, mas o dólar ainda é o dólar, e costuma ser trocado por um câmbio mais convidativo mesmo por cambistas informais (que são relativamente confiáveis em muitas grandes cidades).

 

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Marcelle Ribeiro

Marcelle Ribeiro, jornalista e viajante

Já acampei de mochila, barraca e saco de dormir. Já dividi banheiro com desconhecido na Europa (mas nunca o quarto!). Já fiquei em pousadinha simples na praia, mas também já fiquei em hotelão e em all-inclusive. Não posso saber que estarei de folga num feriado que já corro para os sites das companhias aéreas. Não curto muito excursão nem city tour e gosto de decidir quando e como vou fazer os passeios que quero.

Chapada dos Veadeiros (GO): Meu roteiro de 4 dias de viagem

24 de fevereiro de 2015, por Marcelle Ribeiro

Uma das tarefas mais ingratas da minha última viagem foi decidir a quais cachoeiras da Chapada dos Veadeiros (GO) nós iríamos nos nossos parcos quatro dias lá durante o carnaval. Gente, é muito lugar bonito pra escolher! O ideal seria dedicar pelo menos uma semana para a região, e dividir a hospedagem em pelo menos duas das três cidades da Chapada: Cavalcante, Alto Paraíso de Goiás e São Jorge (sendo que Alto Paraíso fica entre Cavalcante e São Jorge). Ficando uns dias em cada cidade, é possível conhecer as cachoeiras mais próximas e evitar deslocamentos longos, e muitas vezes por estradas de terra, até as atrações. De São Jorge até cachoeiras famosas de Cavalcante, por exemplo, leva-se quase 2h para ir e mais 2h para voltar. Dividindo a estadia, poupa-se tempo e gasolina.

Com apenas 4 dias disponíveis (sendo que no primeiro nós saímos de Brasília cedinho para ir até a Chapada e no último nós tivemos que dedicar a tarde à voltar para a capital federal), decidi montar base em São Jorge, pois a maior parte das cachoeiras que eu queria conhecer estava por ali, ou no caminho até a vila. Deixei para outra viagem atrações que admirei por foto, como a cachoeira de Santa Bárbara, em Cavalcante (até porque todos dizem que ela fica mais bonita na época da seca e eu viajei na estação chuvosa). Viajar é escolher, que jeito, né?

Abaixo, vou colocar um roteiro resumido sobre o que visitamos e nos próximos posts, explicarei melhor sobre cada atração.

Cachoeira de Almécegas 1. Foto: Marcelle Ribeiro

Cachoeira de Almécegas 1. Foto: Marcelle Ribeiro

Dia 1 – Sexta-feira – Chegamos no aeroporto de Brasília por volta das 22h. Fomos à Hertz alugar o carro que já havíamos pré-reservado. Chegamos no Hotel St. Paul, no setor hoteleiro Norte por volta das 23h. Depois de lanchar no quarto mesmo, dormimos. O hotel é excelente, super recomendo. Novo, amplo, com quarto grande, cama confortável, TV, banheiro impecável. Serviço de quarto bom, preços justos. A diária foi barata, mesmo reservando com apenas uma semana de antecedência. O café da manhã estava muito bom e os funcionários foram super atenciosos. Exatamente em frente tem um estacionamento público gratuito, bem iluminado e com bastante vaga (até parecia estacionamento do hotel). Muito perto do hotel tem um shopping. O aeroporto fica a 15 minutos de carro.

Dia 2 – Sábado – Pegamos estrada para a Chapada às 7h. A estrada estava ótima, como já disse neste post aqui. Às 10h já estávamos na entrada da Fazenda São Bento, onde visitamos as cachoeiras Almécegas 1 e Almécegas 2, que ficam entre São Jorge e Alto Paraíso. Depois de lanchar na trilha, pegamos o carro e seguimos rumo a São Jorge, mas paramos antes para conhecer o Vale da Lua (onde ficamos das 15h30 às 17h). Jantamos na vila de São Jorge, após fazer o check in.

Vale da Lua. Foto: Marcelle Ribeiro

Vale da Lua. Foto: Marcelle Ribeiro

Dia 3 – Domingo – Tentamos ir no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, mas como chegamos lá às 10h30, não pudemos entrar, porque já estava cheio. Rapidamente decidimos ir à Cachoeira do Segredo. Antes de ir para lá, passamos na vila para arrumar um guia. A trilha levou o dia inteiro. À noite, pizza na vila.

Dia 4 – Segunda-feira – Acordamos cedo e às 9h já estávamos no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Fizemos a trilha dos Saltos do Rio Preto (pois a trilha dos Cânions já estava cheia de turistas e com lotação esgotada). Acabamos a trilha às 15h, minutos antes de cair um temporal. Fomos descansar na pousada. À noite, risoto na vila.

Dia 5 – Terça-feira – Dia de levantar cedo de novo, fazer as malas e o check out. Às 9h15 começamos a trilha da cachoeira Raizama, pertinho de São Jorge. Curtimos duas paradas para banho. A trilha é curta. Às 12h já havíamos trocado de roupa na fazenda onde fica a cachoeira e pegamos estrada para Brasília. Chegamos em Brasília por volta das 15h e fomos direto para o Brasília Shopping almoçar. Em seguida, hora de devolver o carro na Hertz e fazer o check in para embarcar (o primeiro dos nossos voos partiu às 19h15).

 

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Chapada dos Veadeiros (GO): como chegar, quando ir e onde ficar

20 de fevereiro de 2015, por Marcelle Ribeiro

Cachoeiras incríveis, piscinas naturais belíssimas, trilhas desafiadoras, montanhas  e as plantas do cerrado brasileiro: assim é a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, um lugar de onde eu acabei de voltar, mas para onde já sei que quero voltar (e em breve, se Deus quiser!). O mais difícil na Chapada é escolher o roteiro, tantas são as cachoeiras imperdíveis de lá. Eu passei 4 dias deste carnaval com a minha família e sei que há atrações para preencher mais uma semana. E como as passagens de avião do Rio para Brasília não costumam ser caras, já já eu estarei em terreno goiano de novo.

Cachoeira do Salto do Rio Preto, na Chapada dos Veadeiros. Foto: Marcelle Ribeiro

Cachoeira do Salto do Rio Preto, na Chapada dos Veadeiros. Foto: Marcelle Ribeiro

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Montanhas belíssimas na Chapada dos Veadeiros. Foto: Marcelle Ribeiro

Montanhas belíssimas na Chapada dos Veadeiros. Foto: Marcelle Ribeiro

Vou dar para vocês neste e nos próximos posts as dicas da minha viagem e também da viagem da minha mãe, que conheceu algumas cachoeiras que não pude visitar, também neste mês de fevereiro.

Bom, pra começar, vamos às orientações mais práticas!

 

Onde ficar na Chapada dos Veadeiros:

As atrações da Chapada dos Veadeiros estão espalhadas por três cidades da região: Alto Paraíso de Goiás, que fica a 229 km de Brasília, São Jorge (a 265km de Brasília) e Cavalcante (distante 308km da capital federal). Eu me hospedei em São Jorge, porque as atrações que eu planejei conhecer estavam mais perto de lá. É em São Jorge que fica a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, onde há duas trilhas de dia inteiro muito famosas. São Jorge é uma vila, com um punhado de ruas de terra, pousadas, campings e restaurantes. Não tem farmácia, tem umas poucas lojinhas bem simples, uma mercearia e um mercadinho. Tudo muiiito simples, mas bom de fazer a pé. Eu curti, porque adoro ter restaurantes pertinho do hotel e poder evitar o carro à noite.

Não conheci Alto Paraíso de Goiás, mas pelo que li, lá há maior quantidade de pousadas (e elas são mais bem estruturadas) e lojinhas. A cidade é asfaltada e tem fama de mística, pois muitos moradores acreditam em extraterrestres. Cavalcante tem ainda menos opções de hospedagem, mas também é vizinha a belas cachoeiras. Também não foi dessa vez que consegui visitar Cavalcante.

Nós nos hospedamos na Pousada Águas de Março, que não indico. Reservamos com meses de antecedência, mas chegando lá recebemos os piores quartos. Um deles, que reservei para o meu pai, recebia toda a fumaça da sauna à lenha. Só depois que ele ameaçou deixar a pousada e procurar hospedagem em outro local é que a pousada se comprometeu a não ligar mais a sauna em nenhum dia.

Há três tipos de quarto duplo e optei pelo mais barata, acreditando nas fotos do site da pousada e nas boas recomendações que li no site de avaliações TripAdvisor. Uma decepção. As fotos que a pousada coloca no site são de uma ala um pouco mais nova, mas também mal cuidada. O nosso quarto, da ala mais velha, tinha um banheiro bem feio, com cortina no Box curta e velha e ficava todo molhado após o banho. A pia, minúscula, era fora do banheiro, ao lado da cama. O azulejo do banheiro só ia até metade da parede. O ventilador estava bem velhinho. Lençóis e toalhas estavam em bom estado, mas a pintura das paredes e das portas de toda a pousada estava bem precária.

O café da manhã era gostoso, mas eu não voltaria a me hospedar lá. Cogitamos ir para outro lugar, mas como estava tudo lotado no carnaval e os preços estavam nas alturas, ficamos na Águas de Março mesmo.

 

Como chegar à Chapada dos Veadeiros:

O aeroporto mais próximo é o de Brasília, que, como já disse acima, fica a 229 km de Alto Paraíso de Goiás, a 265 km de São Jorge e a 308 km de Cavalcante.

O mais indicado é alugar um carro em Brasília. Ir de ônibus de Brasília à Chapada dos Veadeiros requer mais tempo e paciência, porque a viagem é mais longa e há partida apenas uma vez por dia. A empresa que opera o trecho entre Brasília e Alto Paraíso de Goiás é a Real Expresso, que costuma ter apenas dois horários diários saindo da capital federal para Alto Paraíso e um no sentido contrário. O ônibus que sai de Brasília às 10h chega em Alto Paraíso às 13h.

Para ir de Alto Paraíso a São Jorge você pega um ônibus da viação Santo Antônio, que passa por volta das 15h30. O problema é que os atrasos desse ônibus são constantes. No carnaval, por exemplo, ele não estava operando (36 Km separam as duas localidades). Parece que os próprios moradores da região se organizam num esquema de caronas e lotadas, tudo muito precário. Ou seja, chegar na Chapada de transporte público dá trabalho e dor de cabeça.

Além disso, você vai conhecer melhor as atrações se estiver de carro e terá mais liberdade para montar seu próprio roteiro. Ok, se você resolver ir de ônibus, pode se encaixar em algum tour de agências de viagens locais (as mais famosas por lá são a Alternativas, a Ecorotas e Travessia), mas dizem que quem visita a Chapada fora de feriadões tem dificuldade de se encaixar em tours de agências, que não são assim tão maleáveis. Além disso, fazendo passeios com agências, você pagará para ir com um guia a lugares em que não é necessário ir com guia. A maior parte dos atrativos não requer guia e várias trilhas são bem sinalizadas. Nós passamos quatro dias lá e em apenas um contratamos guia, na Operadora Fazenda Segredo, para conhecer a cachoeira do Segredo (parece que essa operadora é quem cuida da fazenda onde fica a cachoeira).

Se não quiser alugar carro ou ir de ônibus, pode combinar com uma das agências de viagem citadas acima de eles irem buscar você em Brasília e te levar, mas certamente ficará mais caro do que pegar um ônibus.

Decidiu alugar um carro em Brasília? Então saiba que a estrada de Brasília até São Jorge passa por Alto Paraíso de Goiás e está “um tapete”: asfalto novinho, sem buracos, em ótimo estado. E o asfalto vai até São Jorge (terminaram de asfaltar bem recentemente). Não há pedágios e há poucos postos de combustível e lanchonetes no caminho (nada daqueles postos de redes como Graal ou Frango Assado, que há em São Paulo).

Levamos exatamente 3 horas para fazer o trajeto Brasília-São Jorge, tanto na ida quanto na volta, mesmo sendo saída e retorno de feriadão.

O acesso de Brasília a São Jorge é feito pela BR-020, em direção à Formosa-GO. No trevo, pegue a BR-010, sentido Alto Paraíso. Depois de cruzar a divisa do Distrito Federal com Goiás, a BR-010 passa a se chamar GO-118. Chegando a Alto Paraíso, basta virar no trevo à esquerda em direção a São Jorge e seguir pela GO-239 por mais 36 km de rodovia asfaltada.

 

Quando ir à Chapada dos Veadeiros:

Li que a melhor época para ir à Chapada dos Veadeiros é na época da seca, que vai de maio a setembro. É que as estações de lá são bem definidas, e, sem chuvas, as águas das cachoeiras e dos poços d’água ficam ainda mais bonitas e cristalinas.

Fui na época de cheias (e chuvas!), que vai de outubro a abril, neste carnaval, torcendo para não chover. E demos muita sorte, porque choveu apenas em um dia de nossa viagem e mesmo assim quando nós havíamos acabado o nosso passeio. Vimos águas cristalinas em algumas cachoeiras e pegamos várias delas bem volumosas (o que, na minha opinião, é bem mais legal). Mas ressalto aqui que pelo que percebi, esse verão está sendo meio atípico na Chapada dos Veadeiros, pois não tem chovido muito. Quando voltar lá, quero ir na época da seca, para ver cachoeiras que só são bacanas quando estão cristalinas.

A minha mãe, por exemplo, não deu tanta sorte. Ela foi visitar as cachoeiras de Cavalcante também em fevereiro e, como havia chovido nos dias anteriores, a água, que costuma ser cristalina, estava barrenta.

 

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