Serra da Bocaina: O que fazer, como ir, onde ficar (Guia Definitivo)

postado por Marcelle Ribeiroe atualizado em: 28/10/2020

A Serra da Bocaina é uma região de Mata Atlântica cheia de atrações, como cachoeiras, praias, trilhas, picos e mirantes. Ela fica na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. incluindo região de serra e de litoral.  Além disso, é nela que fica o Parque Nacional da Serra da Bocaina, que tem várias cachoeiras lindas!

Como eu moro no Rio e adoro natureza, vou te apresentar esse destino belíssimo. A seguir, veja tudo que você precisa saber para visitar a Serra da Bocaina. Descubra onde fica a região, como chegar, onde se hospedar, quais são as melhores cachoeiras e outras opções do que fazer por lá. Veja todos os detalhes no índice abaixo:

Onde fica?
Mapa
Como ir?
O que fazer?
Pousadas na região

Patrimônio Mundial

Em 2019, a Unesco reconheceu o sítio de Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial Cultural. Com isso, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, o Centro Histórico de Paraty e o Morro da Vila Velha também se tornaram patrimônio mundial, visto que fazem parte da região. Vale ressaltar que apenas os quatro primeiros são áreas protegidas.

serra da bocaina cachoeira bracuid vista baia de angra

Cachoeira do Bracuíd e a vista da baía de Angra ao fundo. Foto: Marcelle Ribeiro.

 

Onde fica a Serra da Bocaina?

A Serra da Bocaina é uma área gigante de Mata Atlântica, de montanhas, que fica na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A região do Parque Nacional abrange quatro municípios paulistas (Ubatuba, Cunha, São José do Barreiro e Areias) e dois fluminenses (Angra dos Reis e Paraty).

Além disso, a zona de amortecimento (locais no entorno que ajudam na proteção e conservação) inclui outros três municípios: Bananal, Arapeí e Silveiras (todos em São Paulo). Por isso, pode-se dizer que todas essas são cidades da Serra da Bocaina.

A parte serrana da Serra da Bocaina inclui as cidades paulistas, enquanto a região litorânea inclui os dois municípios do Rio.

Mapa da Serra da Bocaina

Abaixo, está um mapa da Serra Bocaina. Desta forma, você pode ver toda a região geográfica, assim como a área do parque.

Serra da Bocaina: como ir?

Para chegar à região, o ideal é ir a partir do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Como a região não tem aeroporto, você vai precisar de um carro para chegar lá. Dá até para ir de ônibus para alguns municípios que fazem parte dessa área, mas o carro é fundamental para se deslocar lá. Por isso, a melhor opção é ir direto com um veículo próprio ou alugado.

A seguir, veja a distância de cada cidade da Serra da Bocaina para as capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo, de acordo com o Google Maps. Assim, fica mais fácil para você calcular como ir:

  • Do Rio de Janeiro para:
    • Ubatuba: 326 km (5 horas)
    • Cunha: 306 km (3h50)
    • São José do Barreiro: 204 km (3 horas)
    • Areias: 215 km (2h50)
    • Angra dos Reis: 156 km (2h20)
    • Paraty: 257 km (4 horas)
    • Bananal: 157 km (2h10)
    • Arapeí: 175 km (2h30)
    • Silveiras: 241 km (3 horas)

 

  • De São Paulo para:
    • Silveiras: 221 km (2h40)
    • Ubatuba: 225 km (3h10)
    • Cunha: 223 km (2h50)
    • São José do Barreiro: 268 km (3h30)
    • Areias: 246 km (3 horas)
    • Angra dos Reis: 396 km (5 h20)
    • Paraty: 268 km (3h50)
    • Bananal: 328 km (4h10)
    • Arapeí: 297 km (4 horas)

Onde fica a sede do parque?

Além disso, vale ressaltar que as algumas atrações ficam dentro do Parque Nacional, que possui duas sedes: uma em São José do Barreiro e outra em Paraty. Ainda assim, você não precisa necessariamente chegar por esses municípios.

serra da bocaina mapa

Mapa da Serra da Bocaina. Foto: Caminhos da Corte.

Como economizar na passagem aérea

Se você estiver fora do eixo RJ-SP, uma boa dica é fazer uma pesquisa de preço e ver para qual cidade vale mais a pena viajar para chegar na região. Nós costumamos comprar passagens com desconto nos sites MaxMilhas, Viajanet e Passagens Promo. Todos esses sites são parceiros aqui do blog e indicados por nós.

Serra da Bocaina: como ir de São Paulo

Como já disse, o ideal é ir de carro. Assim, você consegue conhecer as cachoeiras, já que não há transporte público para o alto das serras dessas cidades.

Um carro 1.0 pode, sim, subir as serras e te levar até o início das trilhas, principalmente em Bananal, onde a estrada está quase que completamente asfaltada. No entanto, prepare-se para pegar alguns trechos bastante difíceis. Em São José do Barreiro, a estrada é de brita (perenizada) e apenas as partes mais íngremes têm asfalto. Se você tiver um carro alto ou mais potente, estará bem mais tranquilo. Nós fomos de carro alto e tração 4×2.

De qualquer forma, também é possível chegar à região de ônibus. Você pode comprar a passagem online pelo site da Clickbus, que é parceira do blog e sempre oferece descontos. Vale ressaltar que não é possível encontrar ônibus para todas os municípios e que os preços variam conforme o lugar:

Aproveite para reservar seu carro pela Rentcars. Você compara preços de várias locadoras e paga em 12x!

Serra da Bocaina: como ir do Rio de Janeiro

Assim como já falei antes, o ideal é ir de carro, porque já facilita seu deslocamento na região.

Para ir do Rio de Janeiro até Bananal (157 km no total), pegamos a Rodovia Presidente Dutra até a saída 273, quando seguimos as placas para Bananal, pela estrada SP-064. Então, saímos dessa rodovia na rotatória onde vimos placa para Bananal.

Da mesma forma, você também pode ir de ônibus. Dá para comprar a passagem saindo do Rio pelo site da Clickbus, mas não existem rotas de ônibus para todos os municípios da região. Veja os preços:

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Estação de trem e locomotiva em Bananal. Foto: Marcelle Ribeiro.

O que fazer na Serra da Bocaina?

Existem várias opções do que fazer na Serra da Bocaina, incluindo algumas atrações no Parque Nacional da Serra da Bocaina. As cachoeiras são um dos destaques do local, mas você também pode visitar trilhas, fazer mountain bike, rafting, surf e praticar turismo cultural.

Na hora de decidir como visitar a Serra da Bocaina, avalie quais são os pontos turísticos mais próximos do local onde você pretende se hospedar, além da quantidade de dias que você vai passar na região e o nível de dificuldade das trilhas (algumas podem levar até 3 dias!).

É sempre bom lembrar…

Não custa lembrar que o ideal é fazer trilha com um sapato apropriado, seja um tênis ou uma botinha de trekking. A gente sempre recomenda o site da Amazon para acessórios de vários tipos, entre eles botinhas de trilha e calças legging. E no caso das trilhas descampadas, é uma boa você ir de boné ou viseira.

Praias na Serra da Bocaina

A região litorânea da Serra da Bocaina tem diversas opções de praias para visitar. Na Vila de Trindade, em Paraty, você pode conhecer, por exemplo, as Praia do Meio e Praia da Caixa d’Aço, que estão entre as mais famosas da região.

Leia também: O que fazer em Paraty: 6 dicas essenciais e roteiro de 2 a 5 dias

Já na região de Angra dos Reis, você pode conhecer a Ilha Grande. (Leia tudo que publicamos sobre Ilha Grande)

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Cachoeira de Santo Izidro, em S. J. do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro.

Cachoeiras na Serra da Bocaina

São tantas cachoeiras na Bocaina que é difícil escolher onde ir. Por isso, antes de montar seu roteiro, recomendo que você pesquise fotos e informações sobre os lugares.

Quando estive lá, utilizei o site da Pousada da Terra para descobrir as cachoeiras mais próximas a Bananal. Ele é bem completo e mostra o mapa e as distâncias a serem percorridas nas trilhas. Para ver as cachoeiras de São José do Barreiro, utilizei o site da prefeitura, que tem todas as informações. Além disso, o site do Parque Nacional da Serra da Bocaina também é ótimo, mas só fala sobre as cachoeiras que ficam dentro do parque, como a de Santo Izidro, e a maioria das cachoeiras fica fora dele.

Depois de muita pesquisa, decidimos quais iríamos visitar em três dias de viagem. Nossos critérios foram: altura da queda d’água, beleza da vista da região e nível de dificuldade da trilha entre leve e moderado.

Desta forma, conhecemos a Cachoeira do Bracuí, que fica perto de Bananal e é a mais bonita da região, pois tem uma vista inesquecível na baía de Angra dos Reis. Também visitamos a Cachoeira de Santo Izidro, uma das que ficam oficialmente dentro do Parque Nacional. Por fim, fizemos uma trilha curtíssima para conhecer 4 quedas d’água que compõem a Cachoeira das Sete Quedas, perto de Bananal.

serra da bocaina cachoeiras

Mapa com atrações e cachoeiras mais perto de Bananal. Foto: Pousada da Terra.

Cachoeiras que ainda queremos visitar:

Se você tiver mais tempo pela região, vale conhecer também as cachoeiras:

  • da Onça (em Bananal)
  • das Sereias (perto de Bananal)
  • das Posses, dentro do parque nacional, em São José do Barreiro
  • do Veado, dentro do parque nacional, em São José do Barreiro

Além destas, há várias outras, de diferentes níveis de dificuldade. Quem tem mais dias disponíveis ou melhor condicionamento físico, tem ainda mais opções, como fazer trilha do ouro, que leva três dias (são 53 km!) e permite conhecer o caminho usado no século XVIII para escoar ouro de Minas Gerais até Angra dos Reis (RJ).

Outra trilha muito famosa é a do Pico da Macela, que também fica dentro do parque. O acesso é pela cidade de Cunha.

Outras opções de passeios

Além das trilhas, você pode fazer um passeio rápido pelo centro das cidades da região da Bocaina, que têm construções históricas, como a estação de trem de Bananal (de 1889); a pracinha com coreto dessa cidade; e igrejinhas e casas coloridas em São José do Barreiro. Nós fizemos uma rápida parada nesses lugares, só para fotos mesmo.

Outras atrações são as fazendas históricas da época áurea do café, que ficam em Bananal, Areias e São José do Barreiro. Algumas até viraram hotéis-fazenda.

Nós gostaríamos de ter visitado a Fazenda Resgate, em Bananal, de 1828, que preserva móveis históricos e tem cômodos que fazem lembrar da época da escravidão. Uma pena que quando fomos ela não estava aberta à visitação. Como é uma propriedade privada tombada pelo IPHAN, é preciso ligar para agendar visitas (telefone: (12) 3116-1002) e normalmente ela não abre aos finais de semana.

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Casinhas coloridas em em São José do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro.

Mirantes na Serra da Bocaina

Além disso, você pode conhecer os mirantes da Serra da Bocaina e admirar belíssimas paisagens. Algumas opções são os mirantes da Pedra da Macela (acessado por Cunha), do Parna da Serra da Bocaina (acesso por Cunha), do Sobrado (São José do Barreiro) e do Príncipe (São José do Barreiro).

Pousadas na Serra da Bocaina

Se você tem dúvidas de onde ficar na Serra da Bocaina, saiba que o local tem diferentes opções de hospedagem, desde hotéis a pousadas. O ideal é escolher a cidade mais próxima das atrações que quer visitar. Assim, você economiza tempo no deslocamento.

Há opções de hospedagem em diversas cidades da região, como: São José do Barreiro, Bananal, Cunha, Paraty, entre outras.

Além disso, saiba desde já que a internet na região de Bananal e São José do Barreiro é precária. Por isso, a maior parte das pousadas e hotéis-fazenda não está cadastrada em sites de busca como o Booking. Muitos hotéis-fazenda demoram dias para responder emails e, em alguns casos, eu só consegui descobrir valores de diárias telefonando.

Porém, pra facilitar a sua vida escrevemos um super post sobre onde ficar na região com dicas de pousadas e casas por temporada. Nele, também explico mais sobre como escolher a melhor região.

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Igrejinha em São José do Barreiro. Foto: Marcelle Ribeiro.

Onde não ficar

Nós ficamos na Fazenda Três Barras, que é do final do século XIX e fica um pouquinho antes da chegada à Bananal. Há muitas opções de lazer dentro do próprio hotel-fazenda, como piscinas com tobogã, lago, cavalo, sauna, mesa de totó, parquinho e quadra de tênis.

No entanto, não voltaria a ficar lá porque achei as suítes (tipo de hospedagem mais barata) muito mal cuidadas, com banheiro feinho, ventilador sujo e frigobar e TV velhos. Nós preferimos nos mudar para um chalé com ar-condicionado, mais bonitinho e confortável, mas mais caro. A diária incluía pensão completa.

Além disso, o almoço era simples demais e com poucas opções. E mais: o almoço e o lanche da noite se encerram muito cedo: de 12h às 15h e das 18h às 20h, respectivamente. O salão de refeições também é mal cuidado (as paredes e cadeiras precisam de uma pintura urgente!).

 

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Hotel-fazenda Três Barras, em Bananal. Foto: Marcelle Ribeiro.

Conclusão

Em conclusão, esta é uma região muito rica de pontos turísticos e lugares para visitar. O local é perfeito para quem gosta de natureza e conta com várias cachoeiras e trilhas. Além disso, você pode chegar por diferentes cidades, mas lembre-se: a melhor opção é ir de carro.

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Comentários

  1. Pablo R.
    21 fev 2020

    Muito legal as dicas e as descrições, parece ser uma região muito bonita mesmo.
    Ah e só pra ajudar, só temos carros 4×4 ou 4×2. Os primeiros tem 4 rodas e tração nas 4 rodas. Os últimos, 4 rodas com a tração apenas em 2, podendo ser tração dianteira (100% dos carros modernos) ou traseira (caminhonetes e carros antigos, fusca, Brasília, Chevettes, etc). Todo 1.0 é 4×2. O 4×4 com menor motor no mercado é o jimny Suzuki, de 1,3 litro. Espero ter ajudado.

  2. 14 set 2020

    Adorei as dicas!!
    Fiquei com muita vontade de conhecer a Serra da Boicana depois de assistir o Globo Reporter semana passada. Espero ir em breve!

    • 21 set 2020

      Oi, Melissa, que legal!
      Eu já estou programando retornar para lá muito em breve!
      Abs,
      Marcelle

  3. Joana Rudiger
    19 set 2020

    Estamos hospedados na Fazenda SAO Francisco em São José do Barreiro, uma fazenda histórica, na verdade, a mais atinge da região ( 1813). Turismo rural e histórico da melhor qualidade. Os luxos são o carinho com a história da propriedade, a preservação arquitetônica, a comida caseira da melhor qualidade e a simpatia dos anfitriões. Além da paisagem lindíssima que abraça a propriedade. Não a toa, é principalmente visitada por franceses que entendem destas coisas de patrimônio imaterial e vida boa. Adorando!

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