Toscana em cinco dias – Florença

postado por Marcelle Ribeiro e atualizado em: 04/08/2020

Depois de curtir Veneza, passamos cinco dias na região da Toscana. Chegamos de trem rápido da Trenitália (ótima viagem, trem novinho). Ficamos hospedados em Florença, que é uma cidade bonita, mais central, grande, e tem uma boa malha ferroviária. Além de passarmos dois dias curtindo Florença, de lá fizemos bate-voltas para Pisa, San Gimignano, Assis e Siena.

Eu queria ter alugado um carro para conhecer a região, porque dizem que não é difícil e é mais cômodo. Mas eu não sei dirigir e Guilherme não tava nem um pouco a fim de se preocupar com estrada, sinalização, etc.. Por isso, fizemos tudo de trem ou de ônibus e foi relativamente tranquilo (em outro post, eu conto o estresse que passei com trem lá).

Onde ficar em Florença

Ficamos hospedados num “bed and bed” (não era bed and breakfast porque não tinha café da manhã) em Florença, chamado BBH Firenze. Descobri ele através do site de viagens Trip Advisor. O preço foi uma barbada: 60 euros o casal, para um quarto grande, com banheiro privativo. O BBH fica numa rua perto da estação de trem Santa Maria Novella, o que era importante para nós, pois quase todos os dias pegamos trem para conhecer as cidades que queríamos. Nos arredores da estação tem pilhas e pilhas de albergues e até hotéis 4 estrelas. A nossa rua, apesar de não ter comércio nenhum, era bem iluminada e ficamos perto também de vários restaurantes e da Ponte Vecchio.

O quarto (ficamos no Verde) era bem decorado, mas mal iluminado. No início eu gostei do BBH, mas depois fui ficando com a impressão que essa má iluminação dele era para a gente não perceber que a parede estava precisando de uma pintura. O teto do banheiro também era feio, precisava de pintura, e o vaso sanitário era bem antigo. Não sei se ficaria no BBH novamente não…

Para mim, além da localização, a principal vantagem do BBH era a dona, a Silvia, que foi super simpática ao nos receber e nos deu dicas maravilhosas para curtir Florença.

Depois de deixar as malas no hotel (isso foi no dia 7 de maio de 2011), fomos encontrar a minha mãe e o sócio dela no hotel em que eles estavam, o Globus, que também fica perto da estação. Eu não fiquei hospedada lá, mas o hotel (é hotel mesmo, não é bed and breakfast) me pareceu bem bonitinho, e tinha café da manhã.

O que fazer em Florença

Primeiro dia

Dali, andamos poucos metros e chegamos na principal atração de Florença, o Duomo. Mas antes, comemos um sanduba (panini) delicioso de uma padaria que fica no lado esquerdo do Duomo, perto da entrada (não me lembro o nome). Pagamos 4 euros.

O Duomo, na verdade, é a cúpula da Igreja Santa Maria del Fiori, e é lindíssimo. Dentro da igreja, de interessante mesmo, só tem a cúpula do domo, que é decorada com uma gravura que remete ao inferno de Dante e ao céu. No interior da igreja não tem aquele monte de estátuas e rococós que outras igrejas têm, o que me causou um certo estranhamento. Mas a igreja também é lindíssima pelo lado de fora e a visita com certeza vale a pena. Pegamos fila, mas não pagamos nada para entrar. Pagamos 5 euros por um audioguia (alugue o audioguia, vale a pena).

Depois, pegamos outra fila para subir para a cúpula (pagamos 8 euros, por pessoa). Subimos 463 degraus (não tem elevador), e às vezes a subida foi bem claustrofóbica. Tinha uma parte das escadas que era mão-dupla, o que complicou ainda mais a vida. Mas valeu a pena. A vista lá de cima é maravilhosa. E no meio da subida, você passa por dentro da cúpula do Duomo e pode apreciar os afrescos do Juízo Final muito mais de perto e ver partes dele que não dá para ver lá de baixo.

Os afrescos do Duomo de Florença. Foto: Marcelle Ribeiro

Os afrescos do Duomo de Florença. Foto: Marcelle Ribeiro

Ainda paramos para admirar o lindo portão do Batistério, todo dourado, com desenhos bíblicos. Não entramos no Batistério (que fica exatamente em frente ao Duomo), nem subimos no Campanário (porque a gente já tinha subido escada o suficiente pelo dia, né?).

Após todo esse exercício, nós já havíamos queimado calorias o suficiente para comer as delícias italianas. Primeiro, passamos numa das sorveterias que, para mim, foi a melhor que estive na Itália, a famosa Grom. Fica na Via dele Oche, perto do Duomo. Provem os de chocolate. O menor sai a 2,50 e pode ter dois sabores.

Andamos um pouco e, como tínhamos ingressos já comprados para ir à Galleria dell’ Accademia para as 16h45, resolvemos almoçar (isso mesmo, depois de comer gelato!) próximo ao museu. E, sem querer, sem nenhuma indicação, comemos num dos restaurantes que foi um dos meus preferidos da viagem. Despretencioso, até com cara de lanchonete, e com mesas na calçada e na rua (como é a moda em Florença), o OK Bar é uma delícia. Fica pertinho da Galleria dell’ Accademia, na Via de’ Servi, 97. Bruschettas gostosas, massas bem servidas a 10 euros, vinho bom, tudo uma delícia.

É interessante comprar com antecedência os ingressos para a Galleria dell’ Accademia porque sempre tem fila na porta (a gente não pegou, claro). Vende pela internet, com dia e horários marcados. Pagamos 6,50 euros, cada.

Na Accademia, a visita é rápida. O mais legal de lá é a estátua original de Davi, feita por Michelangelo. Ela tem 5,2 metros e é impressionante (comentário safadinho: a bunda da estátua é uma beleza! rsrsrsrs). É que a Accademia tem muitos moldes de estátuas, para alunos de artes plásticas, e não tem tantas atrações legais. Mas o Davi vale muito a pena.

Mesmo cansados, famos passear pela cidade a pé. Compramos lenços e echarpes numa das inúmeras lojinhas e feirinhas que tem lá (baratinhos e lindos!), e passamos pela Piazza della Signoria, onde tem várias estátuas de mármore lindas (inclusive uma cópia do Davi) e o Palazzo Vecchio (vimos só a fachada).

Andamos mais um pouco e passamos pela Ponte Vecchio, onde há várias joalherias. O sol estava começando a cair, e o visual da ponte do rio Arno era lindo. Aproveitamos e fomos tomar mais um “gelato”, dessa vez numa sorveteria que a dona do BBH me indicou e que é apreciado pelos moradores locais: o Carraia, na Rua Lugarno Soderini esquina com a Via de Serragli, exatamente em frente à Ponte alla Carraia. É gostoso e um pouco mais barato (2 euros), mas o Grom é melhor.

A Ponte Vecchio, cartão postal de Florença. Foto: Marcelle Ribeiro

A Ponte Vecchio, cartão postal de Florença. Foto: Marcelle Ribeiro

Segundo dia

No segundo dia em Florença, dia 8 de maio, acordamos tarde e fomos à Uffizi, que é o maior museu de arte da Itália. Vimos quadros lindos, especialmente o Nascimento de Vênus e a Vênus de Urbino (que é polêmico, por ser um nu). Já havíamos comprado ingressos antecipadamente, mas mesmo assim, tivemos que pegar duas filas, mas pequenas. Pagamos 6,50 euros por pessoa. Lá dentro tem muita coisa para ver, e levamos 1h30 visitando a Uffizi.

Descansamos um pouco no hotel e fomos jantar. Mas saímos meio tarde para jantar (22h, 22h30) e lá em Florença, pelo menos na região em que estávamos, os restaurantes fecham cedo, tipo 22h, 23h.

Saímos andando meio sem rumo até achar um que nos agradasse e estivesse aberto. E achamos um restaurante gostoso e cheio de personalidade (não tem cadeira, senta-se em bancos; o garçom é uma figura, só fala em italiano e você entende tudo), o Osteria Belle Donne, que fica na Via delle Belle Donne, 16r. Não era barato (entrada, massa, vinho e sobremesa – biscoito com vinho doce – deu uns 56 euros o casal), mas era gostoso.

Como já era quase 14h30 (era Dia das Mães!), fomos almoçar num restaurante que eu tinha ouvido falar bem (dica de blogueiro), o Tratoria Ponte Vecchio, ao lado da ponte, na Lungarno Archibusieri, 8r. Seguimos a indicação do mâitre, e dividimos bruschetas, tábua de frios, lasanha (na Itália, lasanha é sempre de carne, não tem outro sabor), a famosa bisteca fiorentina e batatas.

A comida estava ótima, mas eu confesso que não curto carne mal passada não (e a bisteca fiorentina é sempre meio mal passada). Só o vinho que ele indicou é que não fez tanto sucesso. Não sei quanto pagamos (a minha mãe bancou o almoço), mas acho que foi uns 30 euros por pessoa.

Nos despedimos da minha mãe e fomos descansar um pouco no hotel. Passamos em frente à igreja Santa Maria Novella, que é linda. Fiquei frustrada porque apesar de termos passado 5 dias em Florença (na verdade, em três deles, passamos o dia em outra cidade), não consegui entrar nesta igreja, nunca dava tempo.

No fim da tarde, tentamos ir no Giardino di Boboli (que é um jardim lindo, dizem), mas não conseguimos chegar a tempo, e ele estava quase fechando. Tomei um iogurte sentada em frente ao Palazzo Piti (a fachada não tem nada demais) e resolvemos ir ver o pôr-do-sol na Piazza Michelangelo, no alto da cidade, que é point no final de tarde (quer dizer, é point à noite, porque o sol cai às 20h).

Para ir até lá é simples. Pegue os ônibus 12 ou 13 ao lado da estação de trem Santa Maria Novella, num ponto em frente ao Mc Donalds, mas do outro lado da rua. Compre os bilhetes de ônibus, antes, em bancas de jornal. Para voltar, pegue o ônibus no mesmo lugar que saltar. A Piazza Michelangelo é fim de linha, não tem erro. Tem quem vá andando, mas é íngreme.

O pôr-do-sol na Piazza Michelangelo. Foto: Marcelle Ribeiro

O pôr-do-sol na Piazza Michelangelo. Foto: Marcelle Ribeiro

Mas não posso encerrar esse post sem dar a dica de um restaurante que eu e Gui amamos, que é o Il Latini. Foi dica da dona do nosso bed and breakfast. Fica nos arredores da Ponte Vecchio, na via dei Palchetti 6/r. É uma cantina grande, com várias salas. Fecha cedo (tipo 22h).

O curioso é que eles não têm mesa para dois, então casais têm que dividir mesa com desconhecidos. A gente achou meio estranho, mas como vimos que o restaurante estava bombando de gente, pensamos que ele devia ser bom mesmo. E é. Duas entradas, vinho da casa (barato, do garrafão, mas gostoso), duas massas, água, carne assada ao vinho com batatas, torta e vinho branco de sobremesa, tudo isso, saiu a 55 euros.

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Comentários

  1. 19 ago 2011

    Pode me ajudar com minha programacao em Florenca?

    O detalhe e q vou passar do dia 29 d dezembro a 02 de janeiro por la, sei q e muito frio e dias curtos
    Preciso programar para ficar mais “in door”

    Obrigado!

    Jorge Paulo
    Salvador Bahia

    Poderia sugerir tb quais locais ,dias e horarios para visitar na cidade?
    O q faez dia 01 de janeiro?
    Quais bate voltas acha q fica legal nessa epoca?
    Pesnei em Siena com San Giggmiano

  2. 20 ago 2011

    Jorge,
    Minha sugestão é que você entre no site das atrações (eles estão todos aí no post) e cheque se elas vão funcionar nesse período. É que no Ano Novo tem muito museu e restaurante que fecha.
    No site do Weather Channel – http://br.weather.com/ você pode ver o horário que o sol costuma se pôr em cada cidade e, assim, programar seu roteiro.
    Em Florença, para privilegiar lugares fechados (e menos frios), vá ao Duomo, à Uffizi (e dê uma olhadela rápida na Ponte Vecchio) e a Galleria dell’ Accademia.
    Em Pisa não tem jeito, é ao ar livre.
    Em Siena (https://www.viciadaemviajar.com/siena-cidade-imperdivel-na-italia/) dá para ir no Duomo e na Torre del Mangia, mas a linda Piazza del Campo é ao céu aberto…
    Acho que dá para fazer Siena e San Gimignano num dia sim, tem ônibus fazendo essa rota. Mas a graça de San Gimignano é andar, avalie se vale a pena, por causa do frio.
    Abraço,
    Marcelle

  3. Anonymous
    22 out 2011

    Ola!!adorei o blog, gostaria e saber se para fazer uma viagem de turismo a Italia, necessito falar italiano?

    Andreia
    Curitiba-pr

  4. 23 out 2011

    Andreia,

    Não precisa falar italiano para viajar à Itália não. Eu não falo nada de italiano, e passei dez dias na Itália, sem excursão. Eu falo inglês e espanhol. Na maioria dos lugares as pessoas que lidam com turistas falam inglês. E percebi que, na grande maioria dos lugares, se eu falasse um “portunhol”, os italianos entendiam diretinho. Além disso, muitas palavras em italiano são parecidas com português, então você entende muita coisa fazendo associações.
    Abraço,
    Marcelle

  5. Anonymous
    09 abr 2012

    MARCELLE,

    VOU PARA TOSCANA NO INICIO DE JUNHO/12. PRETENDO FICAR HOSPEDADO EM UM HOTEL TIPO FAZENDA EM PISTOIA. ALUGUEI UM CARRO PARA VISITAR FIRENZE, PISA, SIENA,LECCE, SAN GIARMINO. VOU FICAR 2 DIAS E MEIO. DEPOIS VOU SEGUIR DE TREM PARA ROMA. O Q VC ACHA DESTE PROGRAMA.??

  6. 12 abr 2012

    Não conheço Pistoia nem Lecce. Mas 2 dias e meio me parece pouco para conhecer tantas cidades, mesmo de carro. Eu reservaria pelo menos 1 dia inteiro para Florença. Na verdade, o ideal seria 1 dia e meio. E fazer todas os outros lugares que você citou em 1 dia ou 1 dia e meio, parece apertado.
    Abraço,
    Marcelle

  7. Anonymous
    02 jul 2012

    bom dia, Marcelle
    Onde é melhor ficar, e por quantos dias?
    Quais cidades posso visitar no mesmo dia de trem: para Siena, Assis, San Gimigliano, Pisa, Arezzo, Cortona, Montpulciano?
    após sigo para Roma via ESAV
    obrigado pelo post

  8. 07 jul 2012

    OLá,

    Estou presumindo que você estará hospedado em Florença, certo?
    Pisa e San Gimignano você conhece no mesmo dia, de trem. Veja como neste post aqui – https://www.viciadaemviajar.com/pisa-e-san-gimignano-num-dia/
    No dia em que você visitar Assis, pode conhecer também Arezzo ou Cortona, porque os trens que saem de Florença para Assis, param nessas duas cidades. Cheque em Trenitalia.com. Só não sei quantas horas seriam necessárias para conhecer Cortona ou Arezzo, pois nunca fui lá. Mas lembre-se que de Florença para Assis são quase 3h de trem. O Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem, dá mais dicas aqui – http://www.viajenaviagem.com/2007/04/italia-pra-aluna-da-carla/
    Para saber sobre o que visitar em Assis, leia este aqui:
    https://www.viciadaemviajar.com/italia-um-dia-em-assis/
    Também não conheço Montepulciano, mas pelo site da Trenitalia, vejo que os trens que saem de Florença para lá param em Arezzo ou em Siena.
    Enfim, a dica é: simule os deslocamentos no site da Trenitalia e pesquise quanto tempo seria necessário para conhecer as cidades que vocÊ quer: algumas, como Pisa, Assis e San Gimignano, são vistas em 2h. Em outras, como Siena, você pode precisar um pouco mais de tempo.
    ABraço,
    Marcelle

  9. Anonymous
    12 dez 2012

    Oi Marcelle
    eu e meu namorado iremos passar 10 dias na Itália no mes de Fevereiro. 3 dias em Roma, 1 dia em veneza, 1-2 dias em florença. você acha que vale a pena fazermos a costa amalfitana neste mês de frio? E 4 dias são suficientes? Depois seguimos para Londres. Obrigada. Marina

  10. 18 dez 2012

    Oi, Marina,

    Não vale a pena ir para a Costa Amalfitana em fevereiro. Vai estar frrrriiiio. Use os dias extras para conhecer melhor a Toscana (tem cidades bem charmosas perto de Florença, como Siena e San Gimignano, por exemplo). E lembre-se de incluir nesses 10 dias o tempo gasto em deslocamento de uma cidade para outra.
    Abraço,
    Marcelle

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