O que você precisa saber da Vila de São Jorge (Chapada dos Veadeiros)

postado por Marcelle Ribeiro e atualizado em: 26/04/2021

A Vila de São Jorge é uma das bases para quem deseja conhecer a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Ela é perto de várias cachoeiras, trilhas e vales da região, já que é onde fica a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. É uma viagem inesquecível e tem muito o que fazer na Chapada dos Veadeiros. Por isso, reuni minhas principais dicas neste post, para você montar o seu roteiro a partir da Vila de São Jorge.

Em primeiro lugar, apenas para você entender, São Jorge é uma vila, com ruas de terra, pousadas, campings e restaurantes. Não tem farmácia. Tem apenas poucas lojinhas bem simples, uma mercearia e um mercadinho. Eu gostei porque adoro ter restaurantes pertinho do hotel e poder evitar o carro à noite.

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Cachoeira de Almécegas 1, na Chapada dos Veadeiros. Foto: Marcelle Ribeiro

Cachoeiras na Vila de São Jorge | Chapada dos Veadeiros

Ao decidir o que fazer em São Jorge, você certamente terá um roteiro recheado de cachoeiras. Veja a seguir as principais e quais valem a pena. Ah, elas não ficam exatamente na vila, mas próximas, ok?

Cachoeiras Almécegas 1 e 2

As cachoeiras Almécegas 1 e 2, na Chapada dos Veadeiros, são 2 quedas d’água próximas e, apesar do nome delas parecer difícil , a trilha para lá é fácil e curta. Com direito a uma piscina deliciosa para banho.

Almécegas 1 e Almécegas 2 ficam na Fazenda São Bento, na estrada entre a Vila de São Jorge e Alto Paraíso de Goiás.

Na portaria da fazenda, paramos para comprar água e água de coco, ir ao banheiro e logo pagamos a taxa de R$ 20 (em 2015) por pessoa, que dá direito a ir às duas cachoeiras. Depois do portão, dirigimos por 3 Km numa estradinha de terra para Almécegas 1 (que tem 50 metros de altura), estacionamos e depois fizemos uma trilha de cerca de 1,5 Km (só de ida) até a queda d’água.

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Cachoeira de Almécegas 1. Foto: Marcelle Ribeiro

Precisa de guia?

A trilha tem placas, não é necessário guia. Sugiro que você primeiro siga as placas para o mirante, tire fotos e depois continue essa trilha para descer 600 metros de trilha íngreme para o poço d’água formado pela cachoeira Almécegas 1.

Esse poço é fundo, mas você pode ficar na parte rasa (pequena) ou nadar até debaixo da queda d’água (foi isso que fizemos). Depois, suba a escada de pedra e volte pela mesma trilha até encontrar a bifurcação onde verá as placas das “corredeiras”. Dali, ande mais uns metros e chegue até piscinas calmas formadas entre as pedras (no alto de Almécegas 1). Estique a canga e curta um sol ali, tomando mais um banho.

No total, você andará 3 km para visitar Almécegas 1. Não precisa de carro 4×4, o seu veículo 1.0 dá conta do recado.

Depois, pegue o carro novamente, ande mais uns metros de estrada de terra e estacione perto da cachoeira Almécegas 2. Deste estacionamento são mais uns 400 metros (só de ida) para Almécegas 2, que é um pouco mais baixa (tem 15 metros). Mas ela também tem uma área ótima para banho (uma parte rasa e outra funda) e uma boa área para almoçar um sanduba.

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Piscina natural da Cachoeira de Almécegas 2. Foto: Marcelle Ribeiro

Fizemos todo esse passeio das 10h às 15h.

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Cachoeira de Almécegas 2. Foto: Marcelle Ribeiro

Cachoeira de São Bento

A cachoeira fica na Fazenda São Bento, bem perto da Vila de São Jorge. Porém, pelo que li, não é tão imponente e impressionante quanto as Almécegas 1 e Almécegas 2. Acabamos não conhecendo porque achamos que não valeria a pena, porque a queda d’água tem apenas 6 metros de altura.

Vale da Lua

Esse ponto turístico da Chapada dos Veadeiros fica a 9,5 km de distância da Vila de São Jorge. A paisagem é super diferente no Vale da Lua. As pedras parecem lunares. Mas eu não aproveitei tanto esse passeio, porque fui em feriado de carnaval e o lugar estava lo-ta-do! Então, recomendo programar esse passeio para cedinho, para curtir a “lua” mais vazia.

Leia mais: Como visitar o Vale da Lua na Chapada dos Veadeiros

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Vale da Lua. Foto: Marcelle Ribeiro.

Cachoeira do Segredo

Em primeiro lugar, eu preciso dizer que adorei esse passeio na Chapada dos Veadeiros. Uma delícia! Porém, é uma trilha super cansativa, já que é necessário andar 8 km de trilha, molhando o pé em vários riachos. Se eu acho que vale o cansaço? Claro, a queda d’água tem mais de 100 metros de altura e uma piscina grandona para o banho.

A distância da Vila de São Jorge é de 16 km.

Quer saber mais? Veja as dicas para conhecer a Cachoeira do Segredo.

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Cachoeira do Segredo. Foto: Marcelle Ribeiro.

Trilha do Salto

A Trilha do Salto é uma das trilhas que ficam dentre do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Nela fica o principal cartão-postal da Chapada: o salto do Rio Preto, de 120 metros de altura. A trilha tem 11km (ida + volta).

Até pouco tempo atrás ter guia era obrigatório, mas o Ibama derrubou essa exigência. As trilhas são super bem sinalizadas e você não terá dúvidas de que caminho seguir.

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Cachoeira do Salto do Rio Preto: Foto Marcelle Ribeiro

Dificuldade da Trilha do Salto

O parque descreve o nível de dificuldade da trilha do Salto como difícil, mas meu pai, que tem 65 anos e frequenta a academia com regularidade, fez. Não é fácil, que fique claro. Eu diria que é de dificuldade média, porque há muitos trechos que, apesar de planos, são ao céu aberto, sem nenhuma sombrinha para refrescar do sol. Há também algumas subidas com escadarias bem cansativas. Mas ninguém passou mal ou pensou em desistir. E valeu muito a pena.

A nossa primeira parada foi em um mirante, para a ver o Rio Preto, e a cachoeira dele, o Salto do Rio Preto, que é a mais famosa da Chapada dos Veadeiros e tem 120 metros de altura. Pena que não dá para tomar banho nela.

Mais uma caminhadinha e chegamos à nossa primeira parada para banho, a Cachoeira do Garimpão, que tem 80 metros de altura e um grande poço para banho. Tem uma área grande na sombra para descansar. Pena que as pedras nessa área não são lisas, então não dá para deitar.

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Cachoeira do Garimpão. Foto: Marcelle Ribeiro

Depois da cachoeira do Garimpão vem a pior parte da trilha: subir uma escadaria e, em seguida, caminhar em um trecho que, apesar de plano e aberto, nos deixava bem expostos ao sol.

Mas a recompensa valeu o sacrifício. Chegamos a um rio com piscinas naturais com “hidromassagem” ! Depois de “almoçar” o nosso sanduba na beira do rio (tivemos que improvisar uma sombra esticando as cangas em cima das árvores, porque quase não há sombra ali), fomos nos esticar nas piscinas.

Terminamos a trilha por volta das 14h30, a tempo de evitar um banho de chuva e voltar para a Vila de São Jorge!

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Piscina natural no final da trilha. Foto: Antônio Carlos de Souza.

Dica para as trilhas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Em primeiro lugar, vamos aos valores: o ingresso para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros custa R$ 18 para brasileiros (preço de 2021). Veja o horário de funcionamento do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros no site oficial do parque.

A outra dica fundamental é: chegue cedo no parque! Como há limite diário de visitação (de 250 pessoas na Trilha do Salto), você corre o sério de risco de chegar lá e não conseguir entrar, ainda mais se for em um feriado.

Nós fomos no carnaval para a Vila de São Jorge e no primeiro dia em que tentamos visitar o parque, fomos barrados ainda na estrada. Às 10h, as trilhas já estavam com capacidade esgotada.

Trilha dos Cânions

Outra trilha que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é a Trilha dos Cânions, que é um pouco mais longa (12 Km) do que a Trilha do Salto, mas dizem que é mais plana. Eu acabei não fazendo a trilha porque fui barrada, já que o limite máximo de visitantes (300 pessoas) já havia sido atingido quando cheguei ao parque.

O nível de dificuldade é de moderado a difícil. Não precisa contratar guia para esse passeio. O percurso é feito em trilha plana, com paisagens belíssimas. Depois de cerca de 5 km de caminhada, você chega a uma bifurcação. No caminho da esquerda, você caminha por mais 1 km para chegar à Cachoeira das Cariocas, onde o Rio Preto se divide em duas quedas. A descida até o poço é íngreme e requer atenção redobrada.

Se você tiver escolhido o caminho da direita, depois de 800 metros, você estará no Cânion II. Em seguida, você terá que atravessar blocos de pedra até chegar a um grande poço para banho. Na época das chuvas, somente um pequeno trecho do poço é usado, por causa da forte correnteza do Rio Preto.

Trilha da Seriema

A Trilha da Seriema tem apenas 800 metros (ida e volta) e é a prova de que até crianças podem curtir o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Aliás, o próprio parque garante que o caminho é plano e bem marcado até chegar no córrego Rodoviarinha, onde dá para tomar banho na época das chuvas. Então, essa trilha é recomendada para pessoas com dificuldade de locomoção, como idosos, grávidas e crianças.

Trilha das Sete Quedas

Essa é a trilha mais pesada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A Trilha das Sete Quedas tem 23 Km e você vai precisar dormir num camping no meio do mato para completar o percurso. Só dá para fazer esse passeio de junho a novembro, quando chove menos.

É muito importante reservar o camping online e contratar um guia.

Por fim, li que a travessia termina na beira da rodovia GO-239, a cerca de 12 km da Vila de São Jorge e 24 km de Alto Paraíso. Por isso, segundo o parque, você deve contratar por conta própria o serviço de traslado.

Trilha da cachoeira Raizama

A trilha da cachoeira Raizama fica pertinho da Vila de São Jorge, a apenas 3,5 km de estrada de terra de distância.

Ela tem cerca de 2 Km no total e é circular, com algumas descidas em escadarias, mas nada difícil (nós achamos leve). Há muitas placas no percurso e dois lugares para banho. A Raizama mesmo é um salto de 40 metros de altura, escondido entre paredões de pedra e só é possível vê-la do alto. Mas você pode tomar banho nos trechos do rio que formam piscinas de água corrente entre as pedras.

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Cachoeira Raizama. Foto: Marcelle Ribeiro.

Nós levamos 2 horas no total para conhecer a cachoeira e a piscina vizinha, porque fizemos tudo sem pressa.

A entrada custava R$ 20 (em 2015) por pessoa. Na fazenda não há lanchonete, mas há um banheiro simples. O estacionamento era gratuito.

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Cachoeira Raizama, na Chapada dos Veadeiros. Foto: Antônio Carlos de Souza.

Pousadas em São Jorge (Chapada dos Veadeiros)

Quando for à Vila de São Jorge, tente ficar numa pousada bonitinha: você vai voltar cansado das trilhas e querer descansar. Uma dica é a Bambu Brasil, que minha amiga Diana conheceu. Com nota 9,3 no Booking, ela tem quartos lindinhos, com ar-condicionado e rede na varanda. A pousada tem jardins e áreas de estar bonitos, espaço pra relaxar e uma pequena piscina. O café da manhã tem bolos, frios, frutas etc.

A Pousada Raízes é super bem avaliada no Booking, em que acumula uma nota 9,1 (baseada em mais de 100 comentários). Os hóspedes elogiam o atendimento e o café da manhã fantástico. A suíte para duas pessoas pode ser reservada por preços a partir de R$ 290.

Casas para alugar na Vila de São Jorge

No Booking, também há opções de casas para alugar em São Jorge (Chapada dos Veadeiros) como os apartamentos Village São Jorge Residencial. O imóvel mais básico hospeda 2 hóspedes, por R$ 200 por noite e nota 9,7.

Ônibus para São Jorge (Chapada dos Veadeiros)

Ir de ônibus para a Chapada dos Veadeiros requer mais tempo e paciência. A empresa que opera o trecho entre Brasília e Alto Paraíso de Goiás é a Real Expresso, que costuma ter apenas dois horários diários saindo da capital federal para Alto Paraíso e um no sentido contrário. O ônibus que sai de Brasília às 10h chega em Alto Paraíso às 13h. Em seguida, de Alto Paraíso a São Jorge você pega um ônibus da viação Santo Antônio, que passa por volta das 15h30.

O problema é que os atrasos do ônibus são constantes. No carnaval em que eu fui, por exemplo, ele não estava operando. Então, sem dúvidas, a melhor opção é ir de carro. Se for alugar um veículo, recomendo sempre a Rentcars, que eu sempre uso, que é parceira do blog e tem preços ótimos.

Onde comer na Vila de São Jorge

Luar com Pimenta

O Luar com Pimenta é um restaurante bem aconchegante, com música ao vivo e chão de areia. O cardápio tem pizzas, sanduíches e refeições. O filé mignon com arroz, batata frita e legumes estava bem gostoso. Além disso, também aprovamos a pizza e a cerveja gelada.
Endereço: Rua 12, Quadra 6, Lote 6, Vila de São Jorge.

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A carne deliciosa do Luar com Pimenta. Foto: Maridão

Risoteria Santo Cerrado

Esse é o restaurante mais bacana que visitamos na Vila São Jorge. A iluminação é indireta, com velas na mesa, e a decoração é muito bonita. Além disso, tem música ao vivo. Para começar, nós comemos uma porção de linguiça de entrada, que estava bem gostosa.

Nós comemos vários tipos de risoto: de bacalhau, milanês e de linguiça. Todos chegam à mesa em panelinhas e estavam bons, mas a comida demora. Uma panelinha de risoto custa cerca de R$ 60 e se você pedir uma carne acompanhando, paga mais uns R$ 30. Eles dizem que uma panelinha dá para 2 pessoas, mas não dá não.

Endereço: Viela C, Quadra 8, Lote 2, Vila de São Jorge.

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Risoteria Santo Cerrado. Foto: Marcelle Ribeiro

Pizzaria e Creperia Papa Lua

Com decoração simples, a pizzaria tem música ao vivo e boa comida. O cardápio tem crepes e pizzas de massa fina (mais gostosas do que os crepes).

Endereço: Rua 12, Vila de São Jorge.

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